Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

O Caráter Social do Dízimo

O Caráter Social do Dízimo

Seria normal se se falasse mais do caráter cúltico do dízimo. Nada de errado nisso, afinal a entrega dos dízimos e ofertas acontecem predominantemente em ambientes cúlticos.

Assim como as orações, as ações de graça e os louvores, o dízimo faz parte do culto que entregamos a Deus para exaltá-LO e declarar Seu Senhorio sobre todas as áreas de nossa vida, inclusive das finanças.

No entanto é lamentável que, quase todas as palavras que ouvimos em cultos sobre o dízimo, estão vazias de sentido cúltico e repletas de humanismo capitalista, do tipo “tomaládácá”. Com facilidade se sai da verticalidade cúltica para a horizontalidade hedonista e se caminha para o inferno a encontrar Simão, que quis comprar o dom de Deus por dinheiro.

Além disso, convivemos com uma tensão histórica, teológica e pragmática na tentativa de ajustar princípios pertinentes a Antiga Aliança no ambiente da Nova. Essa tensão gera perguntas como: Se eu não der 10% eu peco? Os 10% são do bruto ou do líquido? A questão percentual define a obediência e a espiritualidade na consagração de nossos bens? O que é “casa do tesouro” afinal? A definição feita dessa expressão está hermeneuticamente correta? Temos o direito de ter a sensação de missão cumprida se dermos apenas 10%? De tudo que recebemos de Deus, qual percentual pertence a Deus? Qual pertence a mim? Qual o sentido em tudo isso? Os paradigmas que temos sobre o dízimo podem ser questionados? O caráter social do dízimo se leva em conta? O destino dos dízimos obedece as prioridades: pessoas – social – e se sobrar, estrutura? Ou usamos os dízimos prioritariamente para a estrutura e, se sobrar, para pessoas e o social? Um equívoco na administração dos dízimos pode comprometer o sustento de ministros e a saúde da Igreja? Pode comprometer a obra missionária? Quem terá a coragem de mudar?

Tenho mais perguntas que respostas. Essas perguntas confrontam a mim mesmo. Não quero ser polêmico, só não quero ser fariseu nem ver profanada minhas ações cúlticas.

Nessa confusão, compartilho um texto de um homem de Deus que respeito.

(nota pessoal: não estou limitado aos 10%)

A respeito dos dízimos e ofertas

Ed René Kivitz

http://edrenekivitz.com/blog/2012/09/respeito-dos-dizimos-ofertas/

As perguntas mais frequentes que me chegam a respeito de dízimos e ofertas são apenas três. A primeira é simples: tem que ser 10% do salário ou ganho mensal? Minha resposta é: “não”. O percentual estabelecido na Lei de Moisés obedece à mesma lógica dos outros quatro elementos da estrutura religiosa do judaísmo: a consagração da parte era apenas o caminho pedagógico para a consagração da totalidade. No Antigo Testamento Deus estava prioritariamente associado a um lugar (o Templo), um dia (o Shabat), uma atividade (o Culto) e um grupo de pessoas (os sacerdotes). Mas no Novo Testamento “Deus não habita em templos feitos por mãos humanas” (Atos 7.48,49), já não se deve julgar ninguém pelos “dias de festa ou sábados”, pois todos os dias são iguais (Romanos 14.5,6; Colossenses 2.16,17) e todos são sacerdotes (1 Timóteo 2.5; 1Pedro 2.9,10), que fazem tudo, seja comer, seja beber, ou qualquer outra coisa, para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31). Assim também a ordem para entregar os dízimos a Deus era apenas uma disciplina temporária, até que o povo aprendesse que a Deus pertence “toda a prata e todo o ouro” (Ageu 2.8).

O princípio dos dízimos e das ofertas visava a ensinar que tudo pertence a Deus e deve ser administrado na perspectiva de beneficiar sempre o maior número possível de pessoas. A entrega dos dízimos é o caminho do aprendizado da generosidade e da prática da justiça e da solidariedade. Quem é solidário não faz conta: reparte, compartilha, doa generosamente sem se preocupar com percentuais. E justamente porque seu coração é generoso, se alegra em doar sempre e cada vez mais.

A segunda pergunta quer saber se o dízimo deve ser entregue obrigatoriamente na Igreja. Também respondo que não. A Igreja é, sim, em tese, uma instituição através da qual se pode distribuir riquezas e socializar recursos. Mas o importante é que a riqueza esteja circulando para abençoar o maior número possível de pessoas, tanto através da estrutura organizacional da Igreja quanto das redes de relações: comunitária, familiar e fraterna, que existe ao seu redor.

A terceira e última pergunta é a respeito da necessidade de quitar os atrasados no caso de falha na contribuição de um mês ou outro. Também acredito que não. A contribuição financeira não é um pagamento ou uma obrigação, mas um gesto voluntário e espontâneo: Deus ama quem dá com alegria (2 Coríntios 9.7). Aquele que aprendeu com Jesus que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20.35), sabe que a possibilidade de repartir é um privilégio (2 Coríntios 8.1).

No Antigo Testamento, os dízimos se destinavam a sustentar os levitas e sacerdotes, e toda a estrutura religiosa de Israel. Mas também e principalmente a suprir as necessidades dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros. Os dízimos eram, portanto, também um sistema de distribuição de riquezas. A discussão legítima, portanto, não é a respeito de dízimos e ofertas, mas de solidariedade e prática da justiça, no âmbito pessoal, comunitário e coletivo: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra. Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça, para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com todos” (2 Coríntios 9.7-13).

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6 de setembro de 2012 - Posted by | Sobre Liderança

3 Comentários »

  1. Grande Moral. Você sempre nos inspirando com seus pensamentos. Des continue liberando ais sobre você.

    Comentário por Paulo | 10 de setembro de 2012 | Responder

    • Valeu Marcão. Deus nos abençoe a todos. Precisamos.

      Comentário por Paulo Moral | 11 de setembro de 2012 | Responder

  2. Muito edificante o texto.Mostrando à luz da bíblia o verdadeiro significado do dízimo, ato de generosidade e alegria.

    Comentário por Marcos Vinicus | 6 de setembro de 2012 | Responder


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