Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 45 – A Ética Pessoal dos Profetas 4 – Absoluta Não Conformidade ao Erro e Conclusão

O conteúdo cristológico mostra a essência da ética profética. Um profeta de Deus não monta uma máquina publicitária para exaltar seu ministério. Ele tem como preocupação a glória de Jesus.”…
…“Um grave risco para o profeta é a tentação da popularidade. Muitos púlpitos hoje procuram fidelizar clientes, e não anunciar o conselho de Deus.”…
…”A teologia da libertação demonizou o rico. A teologia da prosperidade idealizou o rico.”…

Boa leitura.

3. A ÉTICA PESSOAL DO PROFETA BÍBLICO REVELAVA UMA ABSOLUTA NÃO CONFORMIDADE AO ERRO

O profeta de Deus não compactua com o erro, encontre-se ele onde se encontrar. Gravemos bem isso. O profeta não quer cometer o erro, por isso cuida de sua vida. E não compactua com ele na vida dos outros. Não aceita o erro social, como vemos em Isaías 10.1-2: “Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades; para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!”. E não aceita o erro pessoal, mesmo que dos poderosos, como Natã fez com Davi por causa do assassinato de Urias (2Sm 12). Podemos ter uma visão social muito ampla e negligenciarmos o pecado em nível individual. Ou podemos ter uma visão de varejo e assim deixarmos de ver o pecado em nível macro. O grande risco é o de se tornar parcial.

O erro não depende de classe social. A teologia da libertação demonizou o rico. A teologia da prosperidade idealizou o rico. Uma ficou do lado do pobre e outra apologizou o ser rico. Falta de visão profética. O profeta autêntico não ficava do lado dos poderosos quando estes erravam. Mas também não sacralizava o pobre, fazendo dele uma pessoa acima da crítica. Várias declarações dos profetas contra a totalidade do povo mostram que se a presença de bens não dava imunidade para pecar, a ausência deles também não dava. Isaías e Jeremias pregaram muito contra os pecados do “povo”. O povo não é santo. Também ama o pecado. “O meu povo gosta disso”, disse Jeremias (Jr 5.31).

Parece que alguns acham que Deus é contra os ricos e a favor dos pobres, como se os bens ou sua falta movessem o agir de Deus. Deus é contra o erro e contra o desvio de sua Palavra, independente da classe sócio-econômica da pessoa. O profeta não tem pendores econômicos, não tendendo a favor dos ricos ou a favor dos pobres. Ele fica do lado da ética divina, do agir estabelecido por Deus. Alguns profetas têm ideologizado Deus. É um equivoco ou uma superposição de sua postura política sobre a Palavra de Deus. Deus tem sido usado como cabo eleitoral tanto pelos que se dizem de esquerda como pelos que se dizem de direita.

Daniel teve seu livro colocado entre os Khetubym, pelos judeus. Não foi visto como um nabhi, um profeta. Mas Jesus o considerou como profeta e assim o chamou (Mt 24.15). Todo seu ministério foi de serviço ao poder político. E, ainda por cima, opressor do seu povo. Seria um “vendido ao imperialismo caldeu”. Em 5.17, ele é grosseiro diante do rei caldeu: “Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: Os teus presentes fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outro; todavia vou ler ao rei o escrito, e lhe farei saber a interpretação”. Ele nos ensina que podemos servir a Deus em qualquer ambiente, e onde estivermos devemos manter nosso caráter de pessoas íntegras. Jeremias aconselhou Judá a se submeter a Nabucodonosor. E declarou que Deus julgaria Nabucodonosor. Jeremias não era pró ou contra o rei caldeu, mas procurava dizer o que Deus queria que dissesse. De maneira diferente agiu Jonas, que tinha uma perspectiva política e subordinou seu agir como profeta à sua maneira de ver as coisas. Há uma diferença qualitativa entre Jeremias e Jonas, e a favor de Jeremias. Ele se porta como profeta, enquanto Jonas é uma personagem, no mínimo, intrigante.

Não é muito difícil ver os erros nos outros. A maior dificuldade é ver o erro em si. Somos tendentes a buscar segurança, e denunciar erros de poderosos é arriscado. Por outro lado, gostamos de aplausos, fazem-nos bem. Por que perdê-los, sendo críticos dos pobres? Um grave risco para o profeta é a tentação da popularidade. Muitos púlpitos hoje procuram fidelizar clientes, e não anunciar o conselho de Deus. É o profeta em busca de fama. Somos auto-indulgentes e tentamos ignorar nossos erros. Jonas erra por ser contra o errado, mas o plano de Deus para o errado não era o de Jonas. Cuidado com as emoções e preferências pessoais, profeta! Subordine-as à Palavra de Deus. Não tememos os poderosos nem temos “peninha” dos pobres.

O aspecto problemático aqui é que, em nosso tempo, o conceito de pecado foi praticamente abolido. Assim, muitos profetas tendem a ter uma visão apenas sociológica do pecado. Sua perspectiva teológica é massacrada pela psicologia contemporânea. É apenas desvio, algo que pode ser corrigido. Ou nem corrigido. A tendência hoje é levar a pessoa a conviver com o erro. Como falar de pecado, ou de erro a uma sociedade massificada pela idéia do “apenas diferente” e sem consciência do conceito de “pecado”? É preciso ter a cosmovisão dos profetas. Eles analisavam seu mundo à luz da Palavra de Deus. Muitos hoje estão analisando a Palavra de Deus à luz do mundo. Muitos profetas atuais estão ignorando a Bíblia, substituindo-a por seus conceitos pessoais. Outros a desprezaram em sua própria vida. E outros, ainda, querem ser intelectuais sintonizados com os novos tempos e vêem a Bíblia como ultrapassada. Assim, eles trazem ensinamentos de homens perdidos, sem Deus, como a grande novidade e como a salvação para a humanidade. Os profetas não tinham como preocupação o estarem antenados com os novos tempos. Da mesma maneira um profeta de Deus não se pauta pelos novos tempos, mas pelos antigos.

Este é um dos dois problemas teológicos cruciais que a igreja enfrentará nas próximas décadas. Sua resposta definirá seu futuro. Este primeiro problema é: qual é a fonte de autoridade em matéria de religião? Desde Lutero, o protestantismo e seus derivados têm afirmado ser a Bíblia. Para muitos evangélicos hoje é a autoridade da instituição ou do líder do grupo, numa volta ao romanismo. É um processo de “desescriturização” dos fundamentos (ou seja, tirar as Escrituras do fundamento da igreja), O profeta precisa ser muito bem decidido: ficar com as Escrituras. Para sua análise do mundo e para sua vida pessoal.  O segundo problema teológico crucial abordo na conclusão.

CONCLUSÃO

A mensagem dos profetas tinha um viés messiânico. Miquéias, Isaias e Jeremias, por exemplo, foram homens que prefiguraram Jesus em suas mensagens. Os profetas do Novo Testamento são cristológicos. Como Ana (Lc 2.36) e como João Batista, que conforme Lucas 16.16 fecho o ciclo dos profetas do Antigo Testamento. Dele disse seu pai, Zacarias: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos” (Lc 1.76). João foi profeta do Altíssimo e preparou o caminho do Senhor.

O conteúdo cristológico mostra a essência da ética profética. Um profeta de Deus não monta uma máquina publicitária para exaltar seu ministério. Ele tem como preocupação a glória de Jesus. E aqui falo do segundo problema crucial que a igreja enfrentará: a cristologia. A igreja de hoje já mostra enormes dificuldades em lidar com a pessoa de Jesus. A maior parte dos corinhos de nossas igrejas se centra no Antigo Testamento. Há até gente cantando que está no santo dos santos escondido pela fumaça e visto apenas por Deus. São dois processos simultâneos: a “desescriturização” (tirar as Escrituras da igreja) e a “descristianização” (tirar Cristo da igreja). Numa inversão do episódio da Transfiguração, alguns estão tirando o Filho de cena, deixando Moisés e Elias, e dizendo: “Estes são os filhos amados de Deus; a eles ouvi”.

Resumo tudo em curtas sentenças gramaticais. Profetas de Deus: sejam íntegros. E sejam como Paulo. No dizer de Stott, “um homem intoxicado de Cristo”. Não banam a integridade de sua vida. E não banam Cristo de sua igreja.

 

[1] WIERSBE, Warren. A crise de integridade. s/d. sem localização, Editora Vida, p. 29.

[2] CAMPOS, Roberto, in VV.AA. Reflexões para o futuro. São Paulo: Veja, 1993, p. 226.

[3] MACARTHUR JR, John. Princípios para uma cosmovisão bíblica. S. Paulo: Editora Cultura Cristã, 20043, p. 34.

 

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15 de abril de 2012 - Posted by | Kerigma

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