Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 43 – A Ética Pessoal dos Profetas 2 – Ausência de Ganância

Se a praga do catolicismo chamado ‘progressista’ é a politização, a praga do protestantismo é sua mercantilização”

Como negar tal afirmação, a respeito daquilo que se vê como igreja nos meios de comunicação?

Como negar tal afirmação, a respeito do mundo musical gospel?

Como negar tal afirmação diante da falta de investimento missionário transcultural?

Boa reflexiva leitura.

1. A ÉTICA PESSOAL DO PROFETA BÍBLICO REVELAVA UMA ABSOLUTA AUSÊNCIA DE GANÂNCIA MATERIAL

Repito a declaração: “A ética pessoal do profeta bíblico revelava uma absoluta ausência de ganância material”. Foram homens e mulheres de absoluta integridade e não tiraram proveito próprio de seu ofício. Temos um exemplo em 2Reis 5.15-16: “Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel; agora, pois, peço-te que do teu servo recebas um presente. Ele, porém, respondeu: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não o receberei. Naamã instou com ele para que o tomasse; mas ele recusou”. Conhecemos a história. General sírio, Naamã foi curado por orientação do profeta Eliseu. Ofereceu-lhe ganho material, o que Eliseu recusou com firmeza. Chamo sua atenção para um fato significativo: Eliseu não é chamado aqui pelo seu nome, mas de “homem de Deus”. A associação deste termo à sua recusa em receber algum valor de uma pessoa curada não é sem sentido. Os autores bíblicos sabiam escrever.

Mas havia um ajudante de profeta muito ganancioso, Geazi. Ele correu atrás de Naamã e lhe pediu bens materiais, e usou o nome de Eliseu na sua mentira. Ganhou o que pediu e também o que não pediu, a lepra que Naamã tivera. Um profeta íntegro, Eliseu; um profeta ganancioso, Geazi; e um leproso que deixa de sê-lo, Naamã. Eliseu fica com o caráter intocado, Naamã fica curado e Geazi fica com os bens e com a lepra de Naamã. Desafortunadamente, muitos profetas contemporâneos estão pegando a lepra do mundo. Quando o profeta é ganancioso acaba se tornando leproso. A lepra da indignidade se lhe pega à alma.

No Novo Testamento vemos Pedro recebendo oferta de dinheiro de Simão Mago, para lhe conceder o direito de retransmitir o Espírito Santo a outros. E Pedro recusa o dinheiro de Simão com dureza. Lemos em Atos 8.18-23: “Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniqüidade”.

Um profeta, um homem de Deus, não é movido a dinheiro. Não usa seu ofício em benefício de seu bolso. Cícero, grande tribuno romano, disse: “Aquele que não é dominado pelo dinheiro é o mais admirado entre todos os homens”. Neste sentido, o profeta deve ser uma pessoa admirável.

A ganância talvez seja uma das maiores chagas da igreja de Cristo hoje. É um câncer que a corrói. No ensaio “Deus, fé e política”, Roberto Campos, intelectual brasileiro (alguns não gostarão deste título aplicado a ele porque acham que se o sujeito é de direita não é intelectual), fez uma observação sobre os evangélicos brasileiros, que ele chamou de “protestantes”: “Se a praga do catolicismo chamado ‘progressista’ é a politização, a praga do protestantismo é sua mercantilização” [2].

Neemias não foi um profeta. Foi administrador. Nada profetizou e no campo espiritual abriu espaço para Esdras, que era sacerdote. Mas ao falar de sua vida como governador, deixou um princípio que cabe em todos os profetas: “Mas os primeiros governadores, que foram antes de mim, oprimiram o povo, e tomaram-lhe pão e vinho e, além disso, quarenta siclos de prata; e até os seus moços dominavam sobre o povo. Porém eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.15). O profeta, bem como qualquer outro líder religioso, deve ser uma pessoa que tenha o temor de Deus. A igreja contemporânea é barulhenta, mas não é espiritualmente temerosa. E muitos de seus líderes não mostram também o temor de Deus na sua vida. Um profeta deve temer a Deus e isto deve reger sua conduta pessoal. Homens e mulheres que servem a Deus e querem ser seus profetas a esta geração precisam temer a Deus. Precisam de seriedade espiritual.

Profetas não podem ter “rabo preso” com ninguém, porque os profetas bíblicos não tinham. Eu estava numa loja com minha esposa, em Brasília, e ouvi uma conversa de uma senhora, pelo celular. Não havia como não ouvir. As pessoas não são discretas e falam ao celular com voz de trombone: “Irmã Fulana, aqui é a missionária Beltrana. Sabe aquela televisão de que eu falei? Tem aqui na loja Tal. Se quiser me dar, eu aceito”. Vergonhoso! Os profetas eram pessoas dignas. Não pediam favores materiais. Sua paixão era transmitir a palavra de Deus às pessoas. Não montavam um esquema para projetar seu ministério. Não escreviam seu nome em gás néon, promovendo-se. Eram pessoas éticas. Até o esquisito Balaão se recusou a aceitar dinheiro para fazer a vontade de Balaque (Nm 22ss).

Profetas precisam de recursos, como quaisquer pessoas. Mas devem buscá-los com dignidade. Devem ser íntegros.  São servos e não “donos do pedaço”. O profeta precisa ter uma vida limpa. Lemos em Tito 1.7: “Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância”. Lemos em 1Pedro 5.2-3: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”.

Tendo dito isto, vamos à segunda marca ética do profeta.

  1. A ÉTICA PESSOAL DO PROFETA BÍBLICO REVELAVA UMA ABSOLUTA LEALDADE À PALAVRA DE DEUS (próximo artigo)

 

[2] CAMPOS, Roberto, in VV.AA. Reflexões para o futuro. São Paulo: Veja, 1993, p. 226.

 

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2 de abril de 2012 - Posted by | Kerigma

2 Comentários »

  1. Paulo muito curioso seu artigo, cheio de sabedoria e revelações do Pai. Deus abençoe sempre sua vida.

    Abs

    Comentário por Adriana do Carmo Souza | 4 de abril de 2012 | Responder

    • Oi Adriana, obrigado por comentar. Mas, por favor, lembre que esse texto foi feito pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho. Abraços

      Comentário por Paulo Moral | 4 de abril de 2012 | Responder


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