Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Liderança – Teologia Afetada – Parte 2

Creio que a sequência deste estudo é muito pertinente e oportuno, pois vi hoje um vídeo de um pastor sendo aclamado rei nos Estados Unidos. O título funcional de ‘Pastor’ já não era suficientemente importante para alguns. Com o tempo, ‘Apóstolo’ também não, depois ‘Patriarca’ também não, e agora, ‘temos’ um ‘rei’.

Nos somos diferentes do povo de Deus no tempo de Saul?

Jesus não é suficiente para muitos crentes.

Boa leitura.

II. O Mundo aprecia títulos de honra — a Bíblia tem receio de identificar a importância do homem pelo seu rótulo. Até aqueles que desempenharam o papel de pastores  não foram  chamados de pastor tal e tal, e nem de  presbítero fulano de tal, mas apenas “ïrmão”. Títulos honrosos promovem o marketing. Atribuir um título  aumenta o prestígio  que os “leigos” devem dar ao pastor ou líder eclesiástico.

A. Identificar o pregador ou líder da igreja como profeta — fala-se da “Escola de Profetas”.  Quem tem uma chamada para servir a Cristo, pregando o evangelho, tem ministério profético.

  1. A Igreja Primitiva entendeu que os líderes da igreja eram “presbiteros” ou  “anciãos”.  Timóteo era reconhecido como “o irmão”. 

a. Em Rm 12.6,7 os dons de profetizar e ensinar são distintos.  Se alguém tem direito de se autodenominar “profeta”, ele teria de pronunciar a vontade de Deus de forma específica e individual.  Cf. 1 Co 14.24,25  “… por todos será convencido de que é pecador e por todos será julgado, e os segredos do seu coração serão expostos.  Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus exclamando, “Deus realmente está entre vocês”.

  1. O mesmo ocorre com o título “Apóstolo”.  Um desejo de autopromoção ou a busca por mais autoridade pode levar um pastor a se autodenominar apóstolo, enquanto a Bíblia usa esse termo, na maioria dos casos, para falar de alguém autorizado por Cristo para falar em seu nome e com sua autoridade. Ele pode escrever Escrituras como os apóstolos do NT? A segunda geração de líderes da Igreja tinha apóstolos? 
  1. Não encontramos o título “pastor” para identificar sua posição de líder ou bispo (supervisor).  O trabalho de pastorado encontra-se em João 21.15-17 e em At 20.28; 1 Pe 5.1-4. 

    III. Religiosidade é uma mistura do Mundo com “Espiritualidade”. 
    1. Paulo iniciou sua mensagem aos atenienses observando que “em todos os aspectos vocês são muito religiosos” (At 17.22, NVI). Para ele, isso significava que cuidavam de manter os seus ídolos contentes, observando as cerimônias costumeiras, seguindo as fórmulas e atos tradicionais com respeito e acuracidade. Religião requer adoração padrão, receitas seguidas à risca. Não deve nos surpreender que Jesus condenou os fariseus que foram meticulosos em dar o dízimo de hortelã, do endro e do cominho, mas negligenciaram os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Mt 23.23).
    A religiosidade é o inimigo do Deus da Bíblia.  Trata a forma como se fosse mais importante que a substância, a roupa mais preciosa que a vida. Na religiosidade, consideram-se práticas externas equivalentes a atitudes do coração. Se Deus não olhasse para o coração, bem podia se agradar como os ídolos atenienses e com as cerimônias que os sacerdotes pagãos tão solenemente repetiam. 

    2. Religiosidade evangélica Os evangélicos brasileiros não devem imaginar que são imunes diante das incursões da  religiosidade em sua espiritualidade. Temos a mania de criticar católicos pela sua religiosidade oca e vazia sem perceber que somos também sujeitos a tradições e práticas que não têm substância espiritual.

     a. Orações compostas para aliviar a coceira nos ouvidos dos presentes e não alcançar o trono de Deus. Orações religiosas não são necessariamente rezadas ou lidas, mas certamente carecem da paixão de um coração que vive na presença divina. Orações que não anseiam por Deus (Sl 63.1) estão destituídas de qualquer expectativa por respostas.


     b. Mensagens proferidas para preencher o espaço “normal” do culto, mas sem o objetivo claro e definido de edificar os ouvintes. “Tudo seja feito para a edificação da igreja”, ordenou o Apóstolo aos coríntios (1Co 14.26b).


     c. Recados supostamente vindos de Deus, porém, claramente concebidos e gerados na imaginação do pregador. Há muito tempo se esqueceu da exortação de Paulo, “Pregue a palavra”, isto é, de Deus e não qualquer “palavra” que surge na cabeça do palestrante.

    Glen Johnson – Faculdade Teológica Batista De Brasília, 1988.

Entrevista com 20 pessoas com o propósito de aprender quais seriam os maiores problemas da Igreja Brasileira.

1. A liderança afirma a Bíblia, mas não a explica e não a vive.
2. A liderança não casa a Bíblia com a vida do povo.
3. A liderança está mais preocupada com os negócios da igreja do que com a transformação espiritual do povo.
4. O cristianismo está se reduzindo mais a um credo do que a uma afirmação  cognitiva do que seria uma vida obediente a Deus em gratidão por sua graça para conosco..
Saberia o povo qual é o alvo da pregação do seu pastor?

d. Músicas que têm maior capacidade para movimentar o corpo do que o coração. Se estamos cantando para Deus e não como os cantores de um “show” popular, devemos dar prioridade a palavras e músicas que comunicam adoração,  amor a Jesus e compromisso com o Senhor. O objetivo da música no culto é adorar em Espírito e em verdade. Muita música cristã apresentada nos cultos fica distante desse ideal.

Jesus disse dos seus contemporâneos: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.  Em vão me adoram;  seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens” (Mc 7.6,7).

e. Dízimos e ofertas para manter o orçamento criado pelo líder ou pelos líderes da igreja. Em lugar de contribuições rotineiras, a Bíblia recomenda: “Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem da com alegria” (2Co 9.7). Como é possível adorar a Deus por meio de sacrifícios financeiros se a motivação não é o amor.  O prazer de dar  é consequência do amor que motiva a contribuição.

f. Usa os termos “irmão” e “irmã” sem qualquer envolvimento com os membros da família de Deus. A religiosidade não se importa em adotar a linguagem da igreja, sem afeto ou sem compromisso familiar. A fragilidade dos relacionamentos nas igrejas torna-se patente nas divisões e politicagens que rompem os tênues laços de amor. “Não vamos para a igreja enquanto fulano e beltrano estão aí”.

Haveria uma solução? Espiritualidade segundo a Palavra. A tendência natural de práticas e cerimônias evangélicas é de se transformarem apenas em atos religiosos. Há algo que se possa fazer para evitar esse mal?

Algumas sugestões poderão ajudar:
 1. Comece o culto com oração intensa, que convide todos a perceberem que Deus está no lugar em que estão reunidos, que ele é uma pessoa, e não um ídolo ou uma criação humana. Conheci uma igreja  em que o pastor se prostrou no chão, na frente de todos, e orou por 15 minutos antes de iniciar o culto clamando a Deus por misericórdia e sua presença santa naquele auditório.

Comp. Efésios 3.14-21
 2. Escolha a dedo o líder da adoração e os jovens que cantarão na frente, não pela sua capacidade musical, mas pelo seu amor e compromisso com Deus. Na falta de jovens assim, que isso seja motivo de oração constante para que Deus levante verdadeiros adoradores.
 3. Adote a prática de Spurgeon que convidava centenas de intercessores a implorar a Deus pela mensagem no porão do templo enquanto ele pregava. Igrejas menores poderão ter três, quatro ou mais pessoas a sustentar a pregação da Palavra com suas petições.

Comp. 1 Tess. 5.17
 4. Sempre que houver uma reunião mais informal de bate-papo, deve-se propor um questione em que se avalie se a igreja tem escorregado para o abismo da religiosidade ou tem se afastado da espiritualidade verdadeira. Tomar consciência de que há perigo. Um dos meios mais eficazes de se evitar a catástrofe seria o autoexame.
Comp. 2 Cor. 13.5

A possibilidade de alcançar  uma espiritualidade genuína pela pregação ocorrerá se os alvos forem bem definidos:

IV.  Exposição bíblica é a maneira mais eficaz de pregar para produzir espiritualidade (próximo artigo)

Anúncios

6 de fevereiro de 2012 - Posted by | Sobre Liderança

1 Comentário »

  1. O Senhor esteja convosco…Em espírito e verdade.

    Comentário por Roberto Tavares de Oliveira | 6 de fevereiro de 2012 | Responder


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: