Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Liderança – Teologia Afetada – Parte 1

Este artigo bem poderia estar na categoria “Kerigma”, como um artigo “PQGP 36”, afinal, todo pastor é um líder também. No entanto, o pastor não é o único que pode refletir sobre a teologia que estamos vivendo. Uma boa liderança, mesmo que não tenha o chamado pastoral específico, tem o dever de aperfeiçoar seu serviço cristão e seus conhecimentos sobre a Igreja e sua história, segundo a Palavra de Deus. Precisamos voltar para a Bíblia e, humildemente, observar o gabarito que o Novo Testamento nos apresenta da Igreja, quanto a sua identidade e papel, e gabaritar a igreja atual para ver no que dá. O que não encaixar, é preciso mudar.

Precisamos gabaritar o conceito de ‘Ekklesia’ na igreja de hoje; gabaritar o ‘Kerigma’; a ‘Koinonia’; o culto; a adoração; a eucaristia; o ofertar; a consciência e as ações missionárias; o conceito de ‘chamado’ ou ‘vocacionado’ ao ministério; o diaconato; o cuidado dobrado aos mestres; a verdadeira vocação pastoral.

Com base nessas observações, fazermos uma verificação das origens de nossos desvios, se houver. Como os conceitos que temos hoje nos foram desenvolvidos? Como nossa teologia foi construida? O que cremos? Como nossa teologia foi afetada? Para onde estamos indo? O que seremos nos próximos 100 anos?

A respeito disso, apreciei um texto do Pr. Russel Shedd que quero compartilhar. Como sempre, farei em partes, com textos pequenos, para respeitar você e o tempo que você gasta lendo artigos.

Boa leitura.

Religiosidade mundana e espiritualidade bíblica
Por Russel Shedd

Introdução

Segundo Karl Barth, a função da teologia evangélica é formular uma pergunta concernente à verdade, significando com isso que a trefa do teólogo é inquirir se a igreja tem compreendido e comunicado corretamente o evangelho. O problema consiste em não reconhecer a influência da cultura sobre a nossa interpretação da Palavra inspirada.

Não é novidade que o mundo influencia a teologia, e muitas vezes não reconhecemos essa influência.  A hermenêutica evangélica deveria ser o fundamento da sua teologia. A finalidade deste estudo, portanto, é pensar sobre a área em que o pensamento alheio afeta ou afetou a compreensão da teologia e a interpretação da Bíblia.

Usamos o termo “mundo” no sentido de Paulo, em Romanos 12.2.  A palavra aion quer dizer tempo, espaço, cultura alienada de Deus.  O deus desse aion é aquele que “cega o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4). Efésios 2.2 declara que estávamos mortos em transgressões e pecados nos quais costumávamos viver, quando seguimos a presente ordem (aion) deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Nada interessaria mais ao demônio do que deturpar o sentido do texto de maneira que os que creem que a Bíblia é a Palavra de Deus a preguem de modo deficiente ou falso.

Tanto o significado do texto como a ênfase dada a certas passagens em detrimento de outras nos foram transmitidas pelas nossas tradições evangélicas. Estas, por sua vez, moldam nossas convicções com respeito ao que é certo e errado na teologia, bem como na prática. “Idealmente, a arte de interpretação, a hermenêutica, tenta reconstruir o contexto histórico-cultural dos materiais estudados, antes de proceder a sua aplicação” (Donaldo R. Curry, “A Collection of Essays on Community”,  Missiology, 111:3 (Julho 1975)  369).

Somos pressionados pelos dois horizontes para não somente entender o significado original, mas para entender até onde nossa compreensão do texto não sofre influências do mundo contemporâneo.

Este estudo tem somente a pretensão de levantar algumas questões, e não de oferecer soluções definitivas ou dogmáticas. A hermenêutica continua em fluxo.

I. O aumento do individualismo e a busca pela realização


A. Individualismo — 1 Co 6.19 —  Acaso não sabem  que o corpo de vocês é santuário de  Espírito Santo que habita em vocês e que vocês não são de si mesmos.

  1. O mundo crê que você tem capacidade e direito de adorar a Deus sozinho, de acordo com o que você pensa e decide.  A igreja é uma ajuda para os que precisam, mas quem tem sua própria Bíblia e pode seguir os seus ensinamentos morais e espirituais não tem muita necessidade de ser inserido em um “corpo”. Quando foi a última vez que ouvimos uma mensagem em que se falasse que Jesus morreu pela igreja? — Ef. 5. 26.  Que ele vai casar com a noiva (igreja), e não com você, um indivíduo?2. Se o Espírito Santo habita em mim, posso confiar em minhas intuições para saber a vontade de Deus e não ser submisso à igreja. Veja os 28 mandamentos recíprocos. Mais perigoso ainda seria entender que uma intuição seja uma mensagem do Senhor.  Assim, posso dizer, “Deus me falou”, sem respaldo bíblico.3. Na prática, percebe-se que os crentes não têm a mesma consciência da necessidade de assistir aos cultos.  Num bairro onde a porcentagem de crentes era de 20% (de acordo com a IBGE), uma pesquisa mostrou que apenas 7% da população estava reunida na igreja num determinado domingo. Calcula-se que pela TV e rádio é possível ter o contato com o evangelho e dispensar a necessidade de assistir aos cultos pessoalmente ou de se comprometer com uma igreja local. Não posso realmente ser cristão independente?B.Em Rm 6.6, Paulo escreveu aos romanos: uma vez batizado em Cristo Jesus, isto é, em sua morte […] para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado. Deve haver claros sinais da morte do “corpo do pecado”.  Santificação como um processo deve ocorrer em todos aqueles que, de fato, morreram com Cristo e com ele foram ressuscitados.
  1. Se esquecemos que nossa morte em Adão leva inevitavelmente à morte em delitos e pecados (Ef 2.2), então o “corpo do pecado não deve ser individual, mas corporativo também”. Nós participamos na vitória corporativa em Cristo. Pode-se corretamente dizer que “os santos” significa a Igreja, mas certamente não se pode dizer, “eu sou um santo” ou chamar Paulo ou Pedro de “São Paulo, ou São Pedro”, sem cair no erro da Igreja Católica.

2.  A busca pela santidade é uma constante na vida cristã autêntica. “Esforcem-se para… serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor”. Esse é o lado prático, individual, daqueles que, pela fé, foram incluídos no Corpo de Cristo.
George Barna (citado por R.C. Sproul em Gordon Olson) diz que uma pesquisa mostra que 77% dos evangélicos dizem  que a humanidade é basicamente boa por natureza.  87% dizem que, na salvação, Deus ajuda os que ajudam a si mesmos.  A interpretação bíblica tende a seguir a opinião do mundo que acha que a criança nasce inocente. Certamente iria para o céu, mesmo sem ser batizado ou sem ter aprendido as verdades do evangelho. O evangelista Piper (pai do famoso John Piper) falou que não era dificil ganhar alguém para Cristo.  O que era dificil era convencê-lo de que estava perdido.

II. O Mundo aprecia títulos de honra — (próximo artigo)

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31 de janeiro de 2012 - Posted by | Sobre Liderança

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