Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 31 – Uma Nova Reforma 3 – A Rejudaização

 

Amo a Jesus, judeu, e muitas coisas relacionadas ao povo que Deus separou em Abraão. Sua cultura, sua história e a forma como Deus separou essa nação para alcançar todas as demais com Sua revelação.

Não me incomodava com o uso de talit, quipá, bandeiras de Israel nas Igrejas evangélicas.

Mas, ouvi um pastor, árabe, em uma Igreja Evangélica aqui no Brasil, com muitos símbolos de Israel espalhados pelo salão dizendo: “Agradeço por estar aqui, mas só lamento não poder trazer nenhum dos meus conterrâneos árabes que estou evangelizando, pois eles jamais entrariam em um lugar com tantos símbolos de Israel. Por favor, amem e evangelizem os árabes, eles também são filhos de Abraão. Mas, preciso dizer que eles jamais entrarão aqui, nesta Igreja, com as bandeiras de Israel penduradas por todo salão”.

Fiquei muito frustrado. Acho que estamos confundindo as coisas.

Esse não é o único problema. Pior são os homens que se chamam de profetas e assumem uma postura veterotestamentária, reclamam uma autoridade comparada a de Elias, esquecendo-se que o profetismo na Nova Aliança é diferente da antiga. É que na Nova Aliança, não tem bambambam. Todos são iguais. Todos são servos. Os profetas, no Evangelho são provados por todos. Não tem mais a figura icônica do Velho Testamento. Tem menos glamour, menos status, é servo dos demais, e a última palavra é a de Jesus, porque Jesus é a Palavra. É a Palavra que nos tem, e não o contrario. A Palavra tem a todos… mas esse é assunto para outro artigo.

 

Leia o artigo.

 

2. A Rejudaização, um Produto Tanto Teológico Quanto Comercial

 

A rejudaização do evangelho tem um lado comercial e outro teológico. O comercial se vê nas propagandas para visita à “Terra Santa”. O judaísmo girava ao redor de três grandes verdades: um povo, uma terra e um Deus. No cristianismo há um povo, mas não mais como etnia. A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora1 de Israel, composta de “toda a tribo, e língua, e povo, e nação” (Ap 5.9). Há também um Deus, que se revelou em Jesus Cristo, sua palavra final (Hb 1.1-2). Mas não há uma terra santa. No cristianismo não há lugares e objetos santos. O prédio onde a Igreja se reúne e que alguns chamam, na linguagem do Antigo Testamento, de “santuário”, não é santuário nem morada de Deus. É salão de cultos. O Eterno não mora em prédios, mas em pessoas. Elas são o santuário (At 17.241Co 3.166.19 e Hb 3.6). Deus não está mais perto de alguém em Jerusalém que na floresta amazônica, nos condomínios, favelas e cortiços das grandes cidades. No cristianismo, santo não é o lugar. São as pessoas. Não é o chão. É o crente. E Deus pode ser encontrado em qualquer lugar. Não temos terra santa, e sim gente santa.

 

A propaganda gera uma teologia defeituosa. Pessoas vão a Israel para se batizar nas águas onde Jesus se batizou. Ora, o batismo é único, singular e irrepetível. Ele segue a conversão e mostra o engajamento da pessoa no propósito eterno de Deus. Uma pessoa que foi batizada, após conversão e profissão de fé, numa igreja bíblica, não se batiza no rio Jordão. Apenas toma um banho. E, sem o sentido filosófico do ser e do vir a ser de Heráclito, aquele não é o Jordão onde Jesus foi batizado porque as águas são outras. As moléculas de hidrogênio e oxigênio que compunham aquele Jordão podem estar hoje em alguma nuvem. Ou na bacia amazônica. Ou no mar. Até no Tietê. É mero sentimentalismo e não identificação com Jesus. É lamentável que pastores conservadores em teologia “batizem” crentes já batizados no Jordão. Isto é vulgarizar o batismo, tirando seu valor teológico.

 

Não sou contra o turismo. Faça-o quem puder e regozije-se com a oportunidade. Sou contra o entortamento da teologia como apelo turístico. Temos visto pastores com sal do mar Morto, azeite do monte das Oliveiras (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!). Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. A rejudaização caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização.

 

Não estou tecendo uma colcha de retalhos. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos, os critérios diferentes para interpretá-los, a pompa e liturgia do judaísmo em contraposição à desburocratização do cristianismo e que a palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo. É o NT que interpreta o AT e não o AT que interpreta o NT.

 

 

 

1 N.R. – Há que se advertir que a Igreja é sim co-herdeira com Israel, mas não sua sucessora, vide Romanos 11:25-27 (“25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. 26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. 27 E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados”).

 

 

 

3. O Fetichismo como Produto do Neopentecostalismo (próximo artigo)


 

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29 de setembro de 2011 - Posted by | Kerigma

5 Comentários »

  1. Impecável o texto.!

    Muito edificante!

    Deus o abençoe

    Comentário por Restaurando a Igreja | 8 de novembro de 2011 | Responder

  2. MAIS UMA VEZ..PARABÉNS PR PAULO MORAL… OS SIMBOLOS JUDAICOS..E SUAS LITURGIAS ESTAÕ EENTRANDO TANTO DAS IGREJAS QUE AS VEZES PENSO QUE OS JUDEUS É QUE ESTÃO NOS CONVERTENDO E NÃO NÓS A ELES!!!
    QUANTO A ESCOLA DE SACERDOTES… ACHO QUE A MELHOR CIDADEP FAZER OS MODULOS É SOROCABA-SP…..RSRSRS!!!. PAULO QUANDO CHEGAR A EPOCA SEJA QUAL FOR A CIDADE !! QUERO PARTICIPAR….
    ABRAÇO PR JEFFERSON MOREIRA

    Comentário por jefferson moreira | 30 de setembro de 2011 | Responder

    • Mais uma vez, obrigado Jefferson, hahaha sei que Sorocaba é uma boa cidade.
      Mesmo que o formato intensivo, de 3 semanas não aconteça aí, estaremos oferecendo os módulos semanais.
      Já fizemos cada semana um módulo, bem definido, para podermos oferece-los individualmente para quem desejar.
      Grande abraço Jefferson. A vc e a família.

      Comentário por Paulo Moral | 30 de setembro de 2011 | Responder

  3. amem Amei muito bom saber que existe ai no Brasil irmaos que entenderam o que Realmente e ser Cristao e que nao fazem da graca uma mensagem de disgraca mas sim entendimento do amor de Deus . te amo irmao

    Comentário por jose coelho | 29 de setembro de 2011 | Responder

    • Olá José, obrigado por comentar. Que Deus nos ajude.

      Comentário por Paulo Moral | 29 de setembro de 2011 | Responder


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