Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 29 – Uma Nova Reforma 1 – Introdução

A série que passo a publicar hoje é, na verdade, um anexo da última, intitulada: Interpretando a Bíblia Hoje.

Pode não parecer, mas parte da Igreja “Evangélica” do Brasil caminha nas estradas da recatolização, da rejudaização e da baixo-espiritualização. Igreja ao gosto do freguês.

Pode não parecer, mas o pós-modernismo tem influenciado a Igreja, relativizando o que no passado era absoluto. Santidade é relativo… Sã doutrina é relativo…certo e errado é relativo…

Aliás, o que temos de certo é que o ‘certo e errado’ é errado, e o certo ou errado é relativo. Bla, bla, bla…

Boa leitura.

 

 

Uma Nova Reforma

Anexo de “Interpretando a Bíblia Hoje”

Autor: Isaltino Gomes Coelho Filho

Uma nova reforma é o título de um livro de J. A . T. Robinson, edição da Moraes Editora, de Lisboa. Lançado em 1965 (inglês), o livro veio na esteira dos debates da teologia da morte de Deus. Bafejada pelo existencialismo, esta corrente propunha a secularização do cristianismo. A nova reforma de que falo não é esta, a dessacralização do evangelho. É uma volta às origens, principalmente hermenêuticas, da Reforma. Um dos nossos maiores problemas, hoje, está na área de hermenêutica: como interpretar a Bíblia, a fé e a denominação.

Segundo Mondin (Antropologia teológica, Paulinas, 1979), há dois princípios na formação de uma corrente teológica, o arquitetônico e o hermenêutico. O arquitetônico é o conteúdo da revelação. A teologia deriva da revelação bíblica. Se não fosse assim, não teríamos uma corrente teológica, mas filosófica. Mondin cita o sistema de pensamento de Hegel. Os mistérios do cristianismo estão presentes nele, mas como foram dessacralizados, despidos de seu conteúdo sobrenatural, é um sistema filosófico e não teológico.

O princípio hermenêutico é o instrumento pelo qual se interpreta a revelação. Geralmente é de conteúdo filosófico. É que a teologia é a interpretação da revelação pela razão. Os dois princípios são necessários e se entendem bem à luz da palavra de Bruner, segundo a qual, para se entender a Palavra de Deus é necessário um ponto de encontro entre ela e a mente humana. A Palavra é o princípio arquitetônico. A mente humana é o princípio hermenêutico.

O catolicismo faz teologia usando como princípio hermenêutico a autoridade da Igreja. O pressuposto filosófico é que ela detém a Verdade. Para Agostinho, por exemplo, a Igreja Católica era o ponto culminante da história. Há suporte filosófico para a interpretação da Igreja Católica: ela tem a verdade e seu magistério a expressa. A Reforma tirou a base hermenêutica da Igreja e a pôs na Bíblia, interpretada pelo crente, regenerado pelo Espírito. Roma deixou de ter a palavra final em matéria de interpretação. Esta postura foi mudada pelo pentecostalismo e carismatismo, pulverizando a interpretação. Colocando a base não mais na Bíblia, mas no crente, estes intimizaram a hermenêutica, com sonhos e interpretações na base de “o Senhor revelou”. Toda a estrutura de uma denominação, seu conteúdo teológico e seu passado doutrinário são irrelevantes. O crente é a palavra final. A diversidade de interpretações, mesmo as mais absurdas, partem daqui. “O Espírito me falou” ou “Deus me revelou” são expressões comuns para legitimar teorias as mais esdrúxulas. O critério de interpretação não é mais Cristo. É o “Espírito”, entendendo-se assim a subjetividade do intérprete. É significativo que a Universal do Reino de Deus tenha substituído a cruz pela pomba. É o Espírito (subjetivo) e não mais Jesus (objetivo) o critério de interpretação. Não há como argumentar com quem tem uma relação especial com o Espírito que nós, “tradicionais e carnais”, não temos. A leitura de Benny Him, Hagin e os sermões de Valnice mostram isso. Estas pessoas alegam ter uma autoridade que elas não podem provar, mas que nós não podemos contestar.

Hagin recebe visitas de Jesus. Outros têm revelações especiais de Deus. Nós “só” temos a Bíblia. A Palavra se subordinou à palavra. A subjetividade de sonhos, experiências e intuições se sobrepõe à exegese centenária e até milenar do evangelho. Assim, se “reinventa” o evangelho constantemente.

Há, em nosso cenário, três grandes vertentes em termos de teologia e de práxis: a recatolização, a rejudaização e a influência baixo-espírita. Cada uma delas mostra que as pessoas assumiram princípios hermenêuticos estranhos, nunca antes sustentados, recebidos por “revelação”, “iluminação” ou “capacitação especial”. Assim desfiguram o evangelho, fazendo uma salada religiosa que nada têm a ver com o ensino bíblico.

1. A Recatolização Contemporânea do Evangelho (próximo artigo)

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13 de setembro de 2011 - Posted by | Kerigma

5 Comentários »

  1. Acabei de entrar e ler seu artigo. realmente é preocupante essa subjetividade do evangelho atual. Embora crendo na unção e na ação do Espirito Santo ,no batismo ,no falar em línguas estranhas e nos dons espirituais, não há mais a coerência baseada na palavra, não há mais discernimento , qualquer revelação tem que estar baseada na palavra e o povo esta sendo enganado porque não lê a Palavra. ¨Meu povo erra por falta de conhecimento¨.As pessoas vão em busca de revelações, e não em busca do conhecimento de Deus ,do amor e da Palavra . estão sendo enganados. e as revelações ( poucas) que são realmente inspiradas pelo Espirito estão sendo sufocadas.O POVO QUER BENS MATERIAIS, CURAS E MASSAGEAR O EGO…OS BENS PRECIOSOS ,FÉ, AMOR,UNIÃO, SALVAÇÃO ESTÃO ESQUECIDOS. É lamentável…

    Comentário por cleni | 18 de setembro de 2011 | Responder

    • É verdade irmã. Vamos orar e buscar mais a Deus. Abraços e que Deus a abençoe.

      Comentário por Paulo Moral | 18 de setembro de 2011 | Responder

  2. […] Fonte: Monte de Adoração Compartilhe esse artigo:ShareFacebookTwitterEmailImprimir ou gerar PDFLike this:LikeBe the first to like this post. […]

    Pingback por Como a Igreja está distante dos ideiais da Reforma « Blog do Lino – Pelo Reino e seu Cristo! | 17 de setembro de 2011 | Responder

  3. Puxa! Excelente artigo! Aguardo ansiosamente os próximos!
    Isso nos ajuda a entender a confusão na igreja atual e, quem sabe, clamar por arrependimento e um retorno às Escrituras!
    Deus te abençoe!

    OBS: posso postar lá no blog com os devidos créditos?

    Comentário por Blog do Tiago Lino | 13 de setembro de 2011 | Responder

    • Oi Tiago, espero que ajude mesmo. Claro que pode. Use a vontade. Abraços

      Comentário por Paulo Moral | 13 de setembro de 2011 | Responder


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