Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 25 – Interpretando a Bíblia Hoje 3 – O Abandono da Bíblia como Normativa

Muitos homens de Deus na Bíblia tiveram bons começos e fins trágicos. Caim é um exemplo. Outros exemplos são: O profeta do altar (1Reis13); Geazi (2Reis 5:25-27); Eli o Sacerdote; Hofni e Fineias, seus filhos (1Sam 2:27 a 36); Saul; Salomão; o rei Ezequias em seus 15 anos de hora extra; Judas e outros.

Hoje, muitos homens de Deus e Ministérios começam bem a caminhada em seus chamados, mas tropeçam nas pedras do orgulho, do dinheiro, da fama, da necessidade de reconhecimento, da ‘emsimesmação’ e se desviam de sua vocação original, da Bíblia, de Jesus e da simplicidade do Evangelho. Nesse momento, para sustentar uma filosofia sutilmente herética e uma estrutura que aponta mais para o líder e um sonho do que para Jesus e Sua Igreja, despreza-se a Bíblia pela supervalorização do líder e sua visão. Assim nascem as seitas. O problema das seitas não é o antagonismo mas a semelhança.

Nesse ponto, a Bíblia deixa de ser normativa e passa a ser indicativa.


2. O Abandono da Bíblia como Normativa

O mais gritante mau uso da Bíblia está na forma de exposição que lhe tira o caráter de normativa e a deixa como indicativa, apenas. Esta utilização da Bíblia vem se tornando cada vez mais comum no cenário evangélico, principalmente entre os neopentecostais. E vem sendo assumida por igrejas batistas (e outras históricas)*. Por ignorância de regras de hermenêutica e pela vontade de terem autoridade em suas posições, não querendo correção, mas apoio, muitos pastores adotam tal postura. Isto é sério. É um péssimo uso da Bíblia. As pessoas não querem se subordinar a ela, mas querem que ela se subordine às suas idéias. Ora, na perspectiva fragmentária podemos usar a Bíblia para suporte do que quisermos… E na forma indicativa, ela deixa de ser Palavra de Deus e se torna um depósito de cenas, histórias e eventos que podemos alegorizar como quisermos, para as campanhas que idealizarmos. Com isto, a historicidade do evento perde seu impacto. O valor não é mais o que a Bíblia diz, mas é como a Bíblia autoriza minha visão de vida. Isto é um perigo pois o caráter de Escritura Sagrada se esvai e a Bíblia se torna apenas um depósito de histórias, com lições alegorizadas, podendo ou não ser real.

Quando dizemos que ela é normativa, estamos apenas explicitando o que diz a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira: “A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas a doutrina e a conduta dos homens”3. Isto é ser normativa. Ela é a nossa norma de fé e prática. Ela é o padrão aferidor e seu caráter é autoritativo. Ele deve reger e analisar nossas posições, devendo ser entendida globalmente. Ela é um todo e assim deve ser entendida. Uma parte só pode ser entendida à luz do todo, e é o todo que interpreta a parte, e não o contrário.

As denominações neopentecostais afirmam-na como regra de fé e prática, mas usam-na como indicativa. Ela apenas indica, em algumas passagens, algumas práticas do grupo. Ela não é autoritativa. A autoridade final, em termos de decisão, é a palavra do líder ou do dono do grupo. Geralmente sua autoridade é legitimada por ser “apóstolo”, “primaz” e coisa parecida. Em termos de doutrina e prática, a autoridade são sonhos e revelações. Mas a autoridade do dono da seita é tão grande que Jorge Tadeu, da Igreja Maná, “se autodenomina Apóstolo e escreve cartas semanais aos seus pastores com o título de ‘St.’ (São) Jorge Tadeu. Um dos pastores dissidentes garante: ‘Hoje, a palavra de Jorge Tadeu na igreja Maná é equiparada à Palavra de Deus'”4. Ainda Paulo Romeiro nos cita uma declaração, registrada na revista Visão, de Portugal (10 a 16 de fevereiro de 1994), nestes termos: “Temos de deixar a nossa religiosidade no chão para sermos mais utilizados por Deis. Recebi isto por revelação divina: Deus me disse que hoje o Senhor permite que um homem tenha várias mulheres, desde que com isso sirva mais a Deus”5. Jorge Tadeu alega pregar a Bíblia, que é contra a poligamia, mas a autoridade não é dela. É dele.

Na perspectiva indicativa, a Bíblia serve apenas de suporte e apoio para práticas que o grupo venha a assumir, na orientação de sua liderança. Ela não rege as idéias, mas apenas dá suporte às idéias. Esta questão deve nos alertar. Que uso fazemos da Bíblia? Ela é autoritativa para nós, que assim crendo procuramos entendê-la globalmente, ou é indicativa, sendo usada em frases e versículos soltos, legitimando posições? Usamo-la para analisar nossas práticas ou pegamos trechos seus para validar o que queremos?

3 Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, item I – “Escrituras Sagradas”
4 ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em crise. S. Paulo: Mundo Cristão, 1995, p. 59.
5 Ib. ibidem, p. 48.
*
minha inserção

3. O Critério Hermenêutico para Uso da Bíblia (próximo artigo)

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9 de agosto de 2011 - Posted by | Kerigma

8 Comentários »

  1. Obrigado por repartir conosco!

    Comentário por jezer | 17 de agosto de 2011 | Responder

  2. Que o Senhor continue te abençoando Pr. Paulo, você tem sido um vaso que entorna e é muito bom poder aprender com quem sabe de verdade aquilo que ensina. Um abraço

    Comentário por Marcio Ruben | 11 de agosto de 2011 | Responder

    • A Graça do Senhor seja sobre nós.

      Comentário por Paulo Moral | 11 de agosto de 2011 | Responder

  3. RIQUISSIMO MATERIAL SENHOR PAULO MORAL GOSTO TANTO E RESPEITO SEU TRABALHO GOSTÂRIA MUITO DE TER SUAS MENSAGENS EM PAPEL COMO FAÇO?

    Comentário por FRANCISCO MARTINS "KIKO" | 9 de agosto de 2011 | Responder

    • Oi Francisco, vc se refere aos artigos ou as mensagens que tenho em DVDs?
      Se for as mensagens que tenho nos DVDs, então vc e eu temos um problema: eu não escrevo as mensagens que prego.
      Desenvolvi as técnicas para pregar sem anotações, mas depois de vários anos, sinto falta dos registros de 32 anos de pregação.

      Comentário por Paulo Moral | 9 de agosto de 2011 | Responder

  4. Querido pr. Paulo. Obrigado por compartilhar tão rico material. Ótimo texto!

    Comentário por Rodrigo Ferreira | 9 de agosto de 2011 | Responder

    • Valeu Ferreira. Que o Senhor nos abençoe. Abraços

      Comentário por Paulo Moral | 9 de agosto de 2011 | Responder


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