Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

PQGP 18 – Pregação Bíblica 2

Amo o louvor e amo a pregação da Palavra. Os dois devem andar juntos e se respeitarem. A ausência de um será como um avião que fica sem uma de suas asas. Rodopiará até cair, e vai machucar muita gente.

 Concordo como Pr. Isaltino quando diz que, em nosso tempo, se despreza o entendimento pelo sentir. Sentir é importante, tanto quanto o compreender e apreender.

 Boa leitura.

 2. O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO E SUA INFLUÊNCIA NA PREGAÇÃO

Antes do sermão, falemos um pouco do culto. Um breve cenário do culto contemporâneo, mesmo sem nos determos de maneira profunda, nos mostrará que há hoje muito volume de som, muito gestual e muito visual do que no passado. O culto atual faz um forte apelo aos sentidos (audição, visão, e até ao tato) e não à razão. A pregação é um apelo ao entendimento. Por isto, a pregação está em baixa. Em muitos cultos, o espaço maior é para o cântico de corinhos, que a nova

semântica chama hoje de “louvor”, e depois, se tempo houver, há um espaço para uma meditação bíblica. “Irmãos, nosso tempo está avançado, então vou apenas ler o texto e fazer apenas algumas considerações”, é uma frase que, infelizmente, não se esgotou. Esta é a primeira influência negativa para o baixo valor da pregação em nosso meio. O sermão tem sido relegado a plano secundário.

Uma segunda razão é que nossa cultura está muito marcada pelo falar e pouco pelo ouvir. As pessoas querem falar, querem expor suas emoções e sensações, e não ouvir. Uma senhora, tempos atrás, disse-me que freqüentou nossa igreja por alguns domingos, mas decidira que não iria ficar conosco. Nós enfatizávamos muito a Bíblia e ela queria ouvir testemunhos. Ela, por exemplo, sempre tinha um testemunho maravilhoso que queria dar. Mas eu sabia que o seu testemunho era

obra de ficção. Sua vida, que eu conhecia, não testemunhava nada. Disse-lhe que ficava muito agradecido por ela não ficar em nossa igreja porque não era o tipo de crente que queríamos.

Algumas outras pessoas saíram de nossa igreja e, no fundo, fiquei feliz com isso. Nas reuniões de oração davam louvores a Deus pela “obra maravilhosa que Deus estava fazendo na sua família”. Na mesma semana ocupavam o gabinete pastoral pedindo ao pastor a famosa “operação abafa” para evitar o divórcio do casal ou a saída litigiosa dos filhos de casa. Eram pessoas que tinham vindo de igrejas carismáticas, tinham dificuldades em ouvir, queriam falar, tinham que dar um testemunho maravilhoso, mesmo que irreal. Isto contribui para o descrédito da pregação. As pessoas querem falar em vez de ouvir. E se acostumam com a irrealidade.

Uma terceira razão é espírito fast food, ou seja, a busca de resultados rápidos. A questão é esta: o que dá mais resultado em menor tempo? Em um de meus livros, contei da crítica que me fez um líder de uma igreja da qual fui pastor. Ele alegou que meu ministério não era o ideal para aquela igreja. Eu era construtor de esgotos e a igreja precisava de um construtor de chafariz. O construtor de esgotos faz um trabalho que dá resultados em médio prazo: ausência de enchentes, eliminação de

mau cheiro, diminuição de doenças, etc. O construtor de chafariz faz uma obra que as pessoas vêem logo. Recordo-me bem desta frase: “o cara pode ser um picareta, mas o trabalho dele aparece”.(2)

Como me recuso a ser um picareta e também construtor de chafariz, deixei aquele pastorado no mês seguinte. Alguns pastores não valorizam o ministério da pregação, e vendo-se como executivos de uma empresa espiritual, perguntam-se: “O que dá resultado mais rápido?”. Não é a pregação bíblica, respondo. Mas afirmo que é a pregação bíblica que dá solidez ao ministério e à igreja.

Uma quarta razão é a mentalidade equivocada de que nossos problemas, tanto das igrejas locais como da estrutura denominacional, são estruturais. Assim criamos GTs e comissões em nossas assembleias convencionais, uns sucedendo aos outros, e nas igrejas buscamos um novo modelo eclesiológico. Colocamos nossas expectativas em planos e métodos. Cremos que nossas dificuldades são organizacionais. Penso que não. Basicamente são conseqüência de baixa espiritualidade. Trocar as panelas e continuar com os mesmos cozinheiros não melhora muito a qualidade da comida, se a achamos baixa. Boa parte de nosso tempo se consome não mais no estudo da Palavra e no prepara de mensagens, mas em reuniões administrativas. Agora, além das reuniões administrativas, há os congressos trazendo novos modelos eclesiológicos para, como dizia a propaganda de um deles, “alavancar a igreja”. A espiritualidade está sendo menos importante que a técnica. A idéia parece ser esta: se soubermos manipular alguns cordões certos, se soubermos montar uma máquina certinha, se organizarmos tudo nos conformes, vai dar certo. Esquecemos questões espirituais, inclusive a pregação. Um púlpito fraco produzirá uma igreja fraca, em pouco tempo. Poderá ser ativa, agitada, mas será fraca. Porque vitalidade espiritual e santidade não se conseguem com liturgia ou eclesiologia. Elas vêm pela Palavra de Deus. Examinem-se os textos de 1Samuel 15.22, Salmo 119.9 e 11 e João 17.17. Sem pregação bíblica, a igreja sempre correrá sério risco de enfermidades sérias.

Uma quinta razão é o subjetivismo na interpretação bíblica. Mas vou abordar este aspecto em outro estudo, por isto que apenas o menciono aqui.

(2)

Conto esta história em meu livro À Igreja, com Carinho, à página 51. O livro está esgotado, mas uma segunda edição está sendo elaborada.

(1)

KASCHEL, Werner. “Revelação e Inspiração no Velho Testamento” , in Revista Teológica, ano VI, no.11, janeiro de 1955, p. 81. O trecho entre parêntesis é meu, para esclarecer a citação de Kaschel.

3. PREGAÇÃO BÍBLICA – O QUE É ISTO? (próximo artigo)


Anúncios

25 de maio de 2011 - Posted by | Kerigma

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: