Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

De Pedro João Serafim…

Vou começar uma série de artigos onde publicarei as poesias de meu avô. O vô Pedro.

Suas poesias e sua história são lindas demais para ficarem apenas na memória de nossa família. Meu vô morreu e voltou, ficou mais 4 anos conosco e depois foi de vez estar com Jesus. Começo contando essa história.

Que nossa geração reaprenda a amar poesias, poesias escritas com a vida de gentes como Pedro João Serafim.

Você é meu convidado, para entrar um pouco na história de nossa família. Entre e fique a vontade.

PrescriptumTenho gratidão e honra por meus pais, avós paternos, meus irmãos e por toda família, mas agora, falarei do vô.

Meu vô Pedro, Pedro João Serafim, foi casado com minha vó (é claro :)) Laura Gavino Serafim. Eles tiveram 4 filhos: Antónia Serafim (minha mãe), Alzira Serafim, Arlindo Serafim e Arnaldo Serafim.

Eles são filhos de italianos e viveram em Botucatu, no interior do estado de São Paulo. O vô trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1950 eles e os 4 filhos vieram para a Capital de São Paulo, se estabeleceram na região leste, e meu vô começou a trabalhar na Ibrape, uma coligada da Philips, no Conjunto Nacional, um tradicional Condomínio na Avenida Paulista. Mas o assunto hoje é a morte clínica e a volta do vô Pedro. Muito bem, vamos lá…

Preciso dizer que conto essa história como a senti. Se os tios contassem a história considerariam detalhes e fatos melhores do que eu. Se eu não for tão preciso, pelo menos o registro é como está em minha memória. Sou o neto homem mais velho e morei com meus avós um ano em minha infância. Tenho meu vô Pedro como minha inspiração para o ministério da Palavra, pois ele era um exímio pregador. Até hoje, não consigo achar um pregador que conjugasse conhecimento Bíblico, paixão por Jesus, paixão missionária e poesia no púlpito, como o vô Pedro. Ele é dessas pessoas que o munto não conheceu, mas constará na lista de Hebreus 11.

Em 1992 o vô Pedro e a vó Laura tinham 72 anos e moravam no bairro de Matão, na cidade de Sumaré, interior de São Paulo. O irmão mais novo de minha mãe, o tio Arnaldo e sua família eram seus vizinhos.

Certa noite, nesse ano, recebemos um telefonema do tio Arnaldo. Ele estava no Hospital de Paulínea (cidade vizinha de Sumaré), junto com seu irmão o tio Arlindo, e nos deu a notícia do falecimento do vô. O vô tinha um câncer no abdome. Com a notícia nosso coração ficou esmagado pois a família perderia uma jóia preciosa e a humanidade perderia, sem saber, um grande tesouro.

Telefonaram para o restante da família, em diversas cidades, informando do falecimento. Todos nos preparávamos, em meio a dor, para viajarmos para estar com ele e com a vó por alguns momentos mais.

Depois de alguns minutos, uma nova ligação… era o tio Arnaldo, com um tom de voz surpreso e animado, dizendo que o vô tinha voltado. Não entendemos nada, pois o coração estava bombardeado com sentimentos diferentes, e procurávamos decidir o que fazer. A vontade de viajar aumentou, pois precisávamos saber o que tinha acontecido.

Nessa ligação, o tio Arnaldo explicou rapidamente o que acontecera, e soubemos depois os detalhes conforme cada um tentava explicar.

Depois que o médico informou a morte clínica do vô, meus tios tomaram as providências de avisar a família. Enquanto isso, enfermeiros e uma ambulância se preparavam para levar o vô para o Hospital da Unicamp (Universidade de Campinas), pois o médico que o acompanhava era de lá. Entraram na ambulância, meus tios em seus carros seguiram a ambulância em direção da Unicamp.

Dado momento, a ambulância sai da estrada e estaciona. Os tios que estavam atrás, sem saber o que estava acontecendo param também. Um dos enfermeiros sai da ambulância dizendo com espanto que o “Seu Pedro” tinha voltado!?!? As dúvidas deram lugar a providências emergentes: massagem cardíaca, e todo procedimento para reanimação. Seguiram para o Hospital, foi entubado e ficou sedado e aguardaram que acordasse.

Entre a morte clínica e a volta, passaram uns 25 minutos, por isso os médicos prepararam a família para o que era mais óbvio: seqüelas celebrais graves, vida vegetativa, ou, com muita ‘sorte’ seqüelas mais leves.

Já era o dia seguinte, nós já estávamos lá mas não era permitido vê-lo, pois continuava entubado e desacordado. Ficamos com a vó, e aguardávamos. Em certo momento, chegou a notícia que o vô tinha acordado. Ficamos preocupados pois queríamos saber se manifestava alguma seqüela, e a informação foi a seguinte: assim que o vô acordou fez duas coisas: primeiro, pediu o pijama de bolinha; segundo evangelizou o médico. Aleluia!!! Deus é bom. Nenhuma seqüela e a pegada evangelística – a de sempre. Não perdia oportunidades.

Todos nós ficamos surpresos, mas principalmente os médicos. A medicina diz que 5 minutos sem oxigenação no cérebro provoca seqüelas irreversíveis. Quando esses médicos vão aprender…com Jesus???!!!

Algo muito curioso.

O vô Pedro viveu mais 4 anos depois disso e nunca disse nada sobre essa experiência. Toda família tinha um grande temor de perguntar. Por que? Não sabemos. Só sentíamos um grande temor no coração a respeito desse assunto. Ninguém ousava perguntar nada para o vô sobre aqueles momentos.

Um dia, eu estava em sua casa e caminhávamos ao lado a horta que ele amava tanto, e eu arrumei coragem para falar sobre esse assunto. Com ousadia, respeito e grande temor, perguntei ao vô:

-Vô, preciso te perguntar algo. Aquela vez, que o senhor morreu por 25 minutos, o senhor teve alguma experiência com Jesus?

Ele olhou para mim com carinho mas desconcentrado por longos segundos – nesse momento já achava que tinha feito besteira em perguntar – ele levanta o olhar para o céu – o dia estava lindo, aberto, com muito sol – fica outros longos segundos em silêncio olhando para cima. Eu também fiquei em silêncio e não ousava nem me mexer. Com o olhar fito no rosto virado para cima, vi lágrimas descerem de seus olhos. Nesse momento, ele olha para mim e diz:

– Paulinho, preciso te pedir um favor.

Eu respondi com muita honestidade:

– Vô, o que o senhor quiser.

Ele disse:

– Pede para Jesus me levar. Eu não agüento mais ficar aqui. Pede para Jesus me levar, por favor. Por favor, você me ajuda Paulinho em oração para Jesus me levar?

Eu respondi:

– Sim, meu vô. Eu vou pedir para Jesus levar o senhor.

No meio de lágrimas ele começou a agradecer, virou-se e voltamos para a área da casa onde a família estava conversando.

Depois dessa conversa ele me pediu para eu pregar em seu velório e aproveitar a oportunidade para evangelizar a família, que estaria toda reunida.

O vô pregava de todo jeito. Vivo ou morto ele era um evangelista. Ele mesmo era a própria mensagem de fidelidade a Deus.

Dois meses depois que ele me pediu para orar, Jesus atendeu nosso pedido. Nós e a humanidade perderíamos um grande tesouro, mas o céu, em festa, ganharia um filho fiel que certamente trazia prazer ao coração do Pai.

Na caminhada da vida, ele deixou muitas poesias que vou compartilhar com você.

Espero que saiba apreciar. O vô Pedro aprendeu a ler e escrever somente e se tornou o maior exemplo de auto didata que conheço. Já tinha lido a Bíblia quase 40 vezes, sabia quase tudo de cor, conhecia de tudo um pouco. Fazia poesia de quase tudo na vida, porque sua vida foi um belo poema de amor a família e fidelidade a Jesus.

Que Deus tenha misericórdia de nossa geração e nos dê outros ‘Pedros’ que sejam exemplo de amor e fidelidade ao evangelho.

Ate a próxima poesia.

Paulo Moral Lopes Filho, neto e fã.

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29 de abril de 2011 - Posted by | Poesias

16 Comentários »

  1. MEU VÔOOOOOOO … SAUDADES … ME LEMBRO MUITO BEM DE SUAS POESIAS … DE SUAS PASTAS DE POESIAS AS QUAIS EM TODOS OS MEUS ANIVERSSARIO QUE ESTEVE PRESENTE AS PROCLAMOU … MUITO O ADMIRAVA .. HJ VIVE COM O SENHOR !!
    ÁGUEDA SERAFIM

    Comentário por Running Amparo | 21 de julho de 2014 | Responder

    • Oi Águeda, é verdade. Também temos muita saudade do nosso vô. Que bom que está lendo as poesias do vô. Deus abençoe vcs.

      Comentário por Paulo Moral | 21 de julho de 2014 | Responder

      • FIQUEI EMOCIONADA AO LER AS POESIAS DO VÔ AQUI , E MUITO FELIZ POR SABER QUE TODA ESSA HISTORIA ESTA SENDO COMPARTILHADA COM MUITAS PESSOAS E SERVINDO DE TESTEMUNHO ,,, PARABÉNS PELA INICIATIVA PRIMO ..
        RECEBO A BENÇÃO EM NOME DE JESUS .. QUE DEUS OS ABENÇOE … ABRAÇO
        ÁGUEDA SERAFIM

        Comentário por Running Amparo | 22 de julho de 2014

  2. Oi Paulinho, espero que vc lembre de mim, sou sua prima Carla, filha da tia Alzira. Meu Deus, chorei mto ao ler a história do vô. Li as poesias que vc postou, são lindas… nosso avô era uma joia preciosa. Sempre falo sobre o dom que o Deus deu ao vô para o meu esposo, o Flavio gosta mto de conversar sobre as coisas de Deus, mas hoje em dia é tão difícil de achar alguém. Fiquei mto feliz em encontrar vc no facebook, manda um bj à todos de sua casa. Deus abençõe.

    Carla

    Comentário por Carla Garcia Miranda de Carvalho | 30 de julho de 2011 | Responder

    • É verdade CArla. Claro que lembre de vcs, mas acho que vc deve estar bem maior que da última vez que te vi. A imagem que tenho em minha mente deve ter amadurecido.
      Fiquei muito feliz com o contato. Amamos vcs. Abraços a todos.

      Comentário por Paulo Moral | 31 de julho de 2011 | Responder

  3. Que linda essa história. Derramei mtas lágrimas, senti mto amor nas palavras. Obrigada por compartilhar conosco essa história tão preciosa.

    Comentário por Paloma | 1 de junho de 2011 | Responder

  4. Bom dia Paulo, seu avô era meu tio, já que sou filho do Dionísio Gavino (falecido dia 06/04/11), irmão de sua avó Laura. Tive pouco contato com o tio Pedro, devido à distância, pois sempre morei no Paraná (apesar de estar vivendo em MG agora), porém, com a leitura de sua narrativa acima, já aprendi a admirá-lo, principalmente por ser um grande homem de Deus, o qual eu não sabia. E também não sabia que era um poeta, e dos bons… Li a poesia dele “Amor de Mãe” e achei linda. No feriado de Abril estivemos (eu, minha mãe, minhas irmãs e uma sobrinha) em SP, na casa de seu Tio Arlindo e nos encontramos com seu Pai e sua mãe, foi muito bom rever todos e saber que estão bem. Muito bonito isso que você está fazendo, isto é, valorizando aqueles que estão ao seu redor, especialmente a família. Que Deus os abençoe e guarde.
    Grande abraço,
    Dionísio

    Comentário por Dionísio Gavino Filho | 13 de maio de 2011 | Responder

    • Oi Dionísio, que alegria nos falarmos. De fato, o vô Pedro foi minha inspiração para o ministério da Palavra. Exemplo em tudo que posso lembrar.
      Vou continuar postando as poesias do vô.
      Espero que possamos nos encontrar.
      Grande abraço e que Deus abençoe muito vocês.
      Paulo Moral

      Comentário por Paulo Moral | 18 de maio de 2011 | Responder

  5. Paulo, que lindo, fiquei muito emocionada, são grandes tesouros que o mundo deixou de conhecer mesmo, mas tenho certeza que marcou a vida dos que o conheceram!
    Estamos com saudades, qdo virem pra SP, zona leste, nos avisem por favor!
    Abs

    Comentário por Estela Sanches | 3 de maio de 2011 | Responder

    • Oi Estela, tb temos saudades. É verdade… pessoas apaixonadas por Jesus que nos inspiram muito. Por isso vou publicar suas poesias, para repartir um pouco de sua sensibilidade.
      Estaremos em SP esse fim de semana, e será bem rapidinho. É dia das mães.
      Estarei, no domingo a noite, na Comunidade da Fé, lá na Imperador.
      Na 2af, bem cedo já volto para Londrina.

      Em Junho eu estarei no Butantã fazendo um seminário, e pretendo ficar alguns dias a mais em SP. Quem sabe dá certo de estarmos juntos.

      Abraços

      Comentário por Paulo Moral | 3 de maio de 2011 | Responder

    • Abração para o Rogério.

      Comentário por Paulo Moral | 3 de maio de 2011 | Responder

  6. muuuito legal Paulinho, emociona quando lemos e lembramos do vô, mas eu como neta confesso, que a parte que ele pede pra orar pra Jesus levar eu não sabia…..
    bjs bjs

    Comentário por Cíntia Moral | 2 de maio de 2011 | Responder

    • Ele pediu para mim. Acho que pediu para a mãe tb. Naquele momento estava somente eu e ele.
      bjs

      Comentário por Paulo Moral | 2 de maio de 2011 | Responder

  7. Que linda a história =D
    Queria saber o que aconteceu naqueles 25 minutos e o que o vô pensou quando olhou pro céu após sua pergunta!!!

    Estou curiosa em ler as poesias do seu avô!!!
    =D

    Fica na paz…

    Comentário por mariane | 30 de abril de 2011 | Responder

    • haha, eu tb queria saber Mariane, mas achamos que, seja o que for, não foi autorizado a falar.
      Na próxima semana começo postar as poesias.
      Deus abençoe.

      Comentário por Paulo Moral | 30 de abril de 2011 | Responder


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