Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Para Quem Gosta de Pregar 13

As muitas e diversas repetições de frases e o uso contínuo de palavras sinônimas, podem estar demostrando que a pessoa que está pregando ou discursando, ou tem pouco conteúdo ou está sedendo à falsa sensação de que está explicando melhor e está sendo melhor compreendido.

Vou repetir o que disse acima:

As repetições e o uso constante de sinônimos numa preleção demostram ou falta de conteúdo ou dificuldade de comunicação.

Vejamos três coisas a evitar para a concisão.

Boa leitura.

6. Três coisas a evitar para a concisão

6.1 – Evitem-se as repetições supérfluas, tanto de conceitos como de palavras. Evitem-se os circunlóquios inexpressivos, as digressões impertinentes que a nada levam, as redundâncias e os pleonasmos viciosos. Por exemplo, a expressão que sempre cito (ouvida por mim, em um sermão):  “o barco de Jonas ia naufragando, indo a pique, submergindo, fazia água, adernava,  estava prestes a afundar, ia submergir,  estava para ser coberto pelas águas” é embromação pura.  Bastava dizer “o barco de Jonas estava para afundar”.  Este erro é muito comum na linguagem religiosa. Por falta do que dizer, as pessoas ficam repetindo os conceitos. O sujeito pleonástico, popularizado pelo ex-presidente José Sarney, embora da Academia de Letras (como, não sei), é um absurdo: “O Brasil ele vai bem”. Em nosso meio: “Deus ele ama”.  “A Bíblia ela é a Palavra de Deus”. É um vício de linguagem que pode ser corrigido. Além de errado, são palavras jogadas fora. E é desagradável de ser ouvido pelas pessoas de bom preparo intelectual.

6.2 – Evite-se o uso freqüente da subordinação, estrutura que favorece a prolixidade. É cansativo ouvir um discurso em que uma pessoa começa uma sentença e não a completa, trazendo outra para esclarecê-la. A pessoa começa uma frase e não a conclui, entremeando-a com outra. Há uma longa linhagem de sentenças intercaladas que se enovelam e emaranham e, muitas vezes, levam a perder o sentido. Na leitura é pior, porque não há recursos visuais.  A linguagem, portanto, tem que ser precisa.

6.3 – Evitem-se as expressões que não fazem falta e que, muitas vezes, são repetições. Tipo  “Jesus ele disse”, “a Bíblia ela ensina”. Evite o “sarneysismo literário”. Esta foi uma de suas “heranças malditas”, expressão do engraçado Lula: o sujeito pleonástico. É um erro de português doloroso de se ouvir. Evite também “as expressões tristemente famosas como “ahn”, “ah”, “né”, “intão” (esta é do campineiro), quando estiver falando. Evite também o uso desrespeitoso de “amém” em tudo, principalmente porque “amém” é uma palavra sagrada. Se estiver escrevendo, tendo escrito um texto, enxugue-o, procurando o que pode ser tirado. A regra que se segue é uma boa ajuda para este fim.

7. Uma regra a recordar – Para a concisão, lembre-se: numa sentença gramatical, toda palavra que puder ser retirada sem prejudicar o sentido da sentença, está sobrando e pode ser retirada. Numa redação, toda sentença gramatical que puder ser retirada sem prejudicar o sentido da redação, está sobrando e pode ser retirada. O primeiro tópico trata da sentença enxuta. O segundo, do texto enxuto. Isto é necessário para se ter um texto conciso, sem palavras sobrando. A concisão é sempre um grande impacto. A dispersão faz com que os grandes argumentos se diluam. Já se entendeu o que a pessoa disse, mas ela continua se repetindo. Os argumentos, que poderiam ser fortes, se tornam fracos porque usados e repetidos, perdem o impacto.

8. Exemplos – Veremos alguns no próximo artigo.

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2 de abril de 2011 - Posted by | Kerigma

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