Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Para Quem Gosta de Pregar 11

Luto para não ser prolixo, e corro o risco de ser só em tentar explicar o que é isso. Por isso, não explicarei. Se você é pregador ou gosta de pregar, sabe que a pesquisa é um prazer. Depois de voltar do papo com “Aurélio”, continue a ler o artigo.

Quero seguir na linha que comecei no PQGP10, e pensar que prolixidade não é sinônimo de conhecimento ou espiritualidade.

Boa leitura.


1. Escrever – todos sabem, mas poucos sabem –
Escrever, toda pessoa alfabetizada sabe. Escrever bem e objetivamente poucos sabem.  O cenário evangélico é um dos que mais sofrem com qualidade porque, infelizmente, superespiritualizamos a questão: “o que vale é a intenção” ou “Deus abençoa” ou “o Espírito é quem faz a obra”. Desculpamos nossa preguiça em estudar e nossa incapacidade em fazer bem com um toque de espiritualidade. E menosprezamos os que estudam, dando-os com sem espiritualidade. A obra de Deus deve ser bem feita e precisamos parar com as desculpas espirituais para nossa falta de competência real. Escrever sobre assuntos espirituais é mais sério que sobre outros temas. Demanda boa técnica.

2. Uma característica comum – Um problema é que muito do que escrevemos é mais operacional e apologético do que texto com conteúdo. Ou defendemos nosso grupo ou contamos vantagem. Por vezes, é narcisismo. O cenário evangélico está repleto de narcisistas, de gente vaidosa, que se exibe. Mas informar e deixar desafios é questão que se impõe para nós. E deve ser bem feita.  Muito do que escrevemos vem eivado de adjetivos. Não é raro ouvirem-se e lerem-se expressões como “o culto foi uma bênção”. Que significa isto para uma pessoa com mente objetiva? O que significa dizer que “seguir a Jesus é gostoso?”. Gostoso é pudim de leite moça. “Jesus é maravilhoso”, o que significa isto, realmente? Dizia um pregador, pela televisão: “Porque, aleluia, o salário do pecado, glória a Deus, é a morte, louvado seja o Senhor”. Quem agüenta um discurso deste? Isto é incapacidade de se expressar mascarada com espiritualidade. A pobreza de conteúdo se revela aí: a incapacidade de dizer algo objetivo e mensurável. O uso de muitos adjetivos, geralmente, encobre pobreza de conteúdo. Os adjetivos adornam, mas o que dá substância são substantivos. Para escrever bem, precisamos mostrar fatos, números, dados, material objetivo e não meramente subjetivo, mostrado em adjetivos. Dizer que o “o culto foi uma bênção” é uma coisa. Dizer que o “culto teve tantas decisões, que algumas pessoas se converteram e outras mais consagraram sua vida a Deus” é outra. Tratou-se de fatos e não de opiniões. Impressiona muito mais e mostra-se que foi uma bênção, mesmo. Por vezes, o subjetivismo é tamanho que se cai na mediocridade. Uma episcopisa (que a Igreja e a mídia insistem em chamar de “bispa”, o que não existe), disse que “Deus é uma coisa quentinha e gostosa”. Sem mais comentários para evitarmos o risco de observações maldosas.

3. Muito ou pouco? – Não é pelo muito escrever que seremos lidos. É pelo que dizemos. As crônicas de escritores hábeis como Inácio de Loyola, Luís Fernando Veríssimo, Mário Prata e outros trazem poucas palavras num estilo agradável. E dizem muito. Pode-se dizer muito com poucas palavras e em estilo fluente. Incrédulos fazem assim. Por que nós também não podemos? É uma questão de concisão: dizer muito com pouco. As noventa e cinco teses de Lutero abalaram o mundo. Eram curtas, enxutas, mas de grande conteúdo (talvez por isso mesmo, por serem curtas). O impacto da síntese é fantástico. Comunica logo, de imediato.

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22 de fevereiro de 2011 - Posted by | Kerigma

6 Comentários »

  1. Acredito piamente nisto, e digo mais, a preguiça não esta só na escrita mas em muitos outro ministérios, os crentes não estão se esmerando no serviço do Senhor. Que Nosso Deus continue a te abençoar.MAURICIO

    Comentário por Mauricio | 28 de dezembro de 2011 | Responder

    • É verdade Mauricio. Que Deus abençoe sua Igreja. Abraços.

      Comentário por Paulo Moral | 28 de dezembro de 2011 | Responder

  2. Pr. Paulo…
    Vc continua arrebentando na escrita… não me canso de ler…Amo sua literatura…

    Abração…

    Comentário por Midian Feitosa | 24 de março de 2011 | Responder

    • Obrigado Midian, fico feliz de abençoar vc.
      Deus abençoe.

      Comentário por Paulo Moral | 24 de março de 2011 | Responder

  3. Muito bem colocado, e ensinado, Paulo. Certa vez escutei um grande amigo meu, homem de Deus, dizer que “a ignorância, certas vezes, pode ser uma benção”.
    Bem, vou fazer uma adequação, ok?
    “assumir a ignorância, e não escrever ou falar sobre o que não sabe, é uma benção”. O Corpo agradece!
    Abraços!

    Comentário por Rodrigo Ferreira | 22 de fevereiro de 2011 | Responder

    • haha, grande amigo, Abraços.
      Estamos juntos.

      Comentário por Paulo Moral | 22 de fevereiro de 2011 | Responder


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