Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Para Quem Gosta de Pregar 6

Estamos numa fase crítica desta série de artigos sobre “Pregação”. Não pretendo ser azedo nos artigos que compartilho, mas preciso ser honesto em dizer que a “pregação” contemporânea precisa de conversão. É preciso salvar a ‘pregação’, antes que ela vá para o inferno e leve muitos com ela.

No final do PQGP5, ficamos de passar os resultados de uma ‘pregação’ que não conforta ou não incomoda ninguém. Os resultados, segundo o comentário de H. W. Robins, são cinco.

1 O Crescente Desprestígio da Pregação
2 A Crise de Identidade da Igreja
3 A Apostasia dos Membros da Igreja
4 A Procura de Substitutos à Pregação

Vamos ver o primeiro…

O crescente Desprestígio da Pregação

A observação de que neste século, mais uma vez, a Igreja está marcada com o declínio da pregação, a exemplo do que houve no período pós-apostólico,  é demonstrada por Lloyd-Jones que, mesmo tendo algumas posturas “radicais”, defende a pregação como sendo a principal tarefa do pregador e a razão maior do seu chamado.

No final da década de 60 Lloyd-Jones já denunciava algumas das tendências de mudanças na ordem de culto geralmente pretendidas pelas igrejas, chamando-as de “elementos de entretenimento no culto”. Para ele, na medida em que a pregação perdeu sua importância, foi necessário dar ênfase a outras partes do culto. Em sua análise, o maior culpado pelo desprestígio da pregação é o próprio púlpito; toda vez que o púlpito está correto e a pregação é autêntica, isso atrai e arrebanha o povo para ouvir .

Um famoso ministro norte americano, Warrem Wiersbe, destacado pelo ministério radiofônico que desenvolve há décadas e por alguns livros, escreveu uma obra traduzida para o português com o título “A Crise de Integridade”. Nele, o autor reconhece o desprestígio da pregação no meio evangélico de seu país e conclui: “o tipo errado de pregadores, compelido por motivos errados, criou o tipo errado de cristãos mediante a pregação da mensagem errada.”

Desta forma, a pregação que é tão prioritária para a vida da Igreja tem, nos próprios pregadores, os principais responsáveis pelo seu desprestígio. Vale a pena lembrar a definição da pregação segundo Blackwood: “a verdade de Deus proclamada por uma personalidade escolhida com o fim de satisfazer as necessidades humanas”. Ora, podemos concluir que o fato da pregação estar desprestigiada se deve, principalmente, à incapacidade dos púlpitos em “satisfazer” as necessidades humanas.

Aproveitando a definição acima vale ressaltar que o que faz a pregação é a veracidade bíblica exposta fielmente e aplicada relevantemente ao homem contemporâneo. Parece-nos que nos dias atuais nossos pregadores cumprem a primeira das condições e desprezam a segunda.

Estas mesmas duas condições podem ser encontradas na definição de sermão de  John H. Jowett. Para ele o sermão tem  que ser uma proclamação da verdade “como vitalmente relacionada com os homens e mulheres que vivem”. Ele diz que um sermão precisa tocar a vida onde o toque seja significativo, “tanto nas suas crises como nas suas corriqueirices”. Completa ainda que o sermão precisa ser  “aquela verdade que viaja em companhia dos homens morro acima e morro abaixo, ou na planície monótona”.

É justamente por isso que a pregação é tão importante para os ouvintes. Há uma “fome” deste toque especial patrocinado pela Palavra pregada. Na medida em que esta pregação é ineficiente em suprir os ouvintes desta necessidade, deixa de ser prestigiada.

Este desprestígio é observado também por  James Crane. Para ele isto se deve, principalmente,  à inaptidão em estabelecer objetivos realmente relevantes para a pregação. Crane lembra que a pregação só tem sentido quando imbuída de um propósito persuasivo. Argumentando acerca disso, ele cita G. Campbell Morgan:

Toda pregação tem um só fim, a saber, o de tomar cativa a cidadela central da alma
humana, ou seja, a vontade.  O intelecto e as emoções constituem vias de aproximação
que devemos utilizar. Porém o que temos de recordar sempre é que não temos atingido
o verdadeiro fim da pregação enquanto não for atingida a vontade, constrangendo-a a
fazer sua escolha de acordo com a verdade que proclamamos.

Sem este caráter persuasivo a pregação perde sua eficácia e, consequentemente, seu prestígio junto à própria Igreja.  E qual o resultado para a Igreja deste estágio em que a pregação se encontra? A própria Bíblia, no livro de Provérbios nos mostra o resultado natural da ausência da legítima e eficiente pregação: “Não havendo profecia, o povo se corrompe”.

O segundo é: A crise de identidade da Igreja. Em breve.

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3 de setembro de 2010 - Posted by | Kerigma

4 Comentários »

  1. ENGANAR AS PESSOAS EM NOME DE JESUS:É com tristeza que vejo muitos pregadores desonestos, enganando as pessoas em nome de JESUS. É muita gente safada, visando apenas dinheiro, mais dinheiro, falando o nome de JESUS. Você para alcançar ou ser atendido por DEUS, não precisa pagar ou dar dinheiro pra ninguem, é só fazer o pedido com fé. Agradeça quando for atendido. Podendo, ajude sim.É importante participar e ajudar as pessoas. Existem muitas instituíções religiosas sérias, procure obter informações,antes de se tornar membro de alguma delas.

    Comentário por Monsueto Araujo de Castro | 9 de janeiro de 2011 | Responder

  2. paz do senhor

    Sou pregador do evangelho e tambem autor do livro meu nome,pregador
    onde relato com enfase a importancia astronomica da pregação do evangelho genuino que ao contrario do que se diz não é uma questão de teologica ou de dicsão e ermeneutica mas uma questão de chamado quando se deixa de falar nas coisas do espirito se deixa de ter fé nelas poius a fé vem pelo ouvir muito se materializa o evangelho ayé para deixalo um pouco mais tangivel porem se esquese que Deus ja era Deus muito antes de tudo e não presisa do nosso auxilio para dobrar os corações dos homens.

    Comentário por EV. Leandro Gonçalves | 23 de dezembro de 2010 | Responder

  3. Meu nome é Edson, sou Pregador, ccordenador de EBD e Ministro de Louvor.
    Tenho 44 anos e cresci sobre a influência de preciosos servos de Deus. Na década de 70, li e estudei sobre vários assuntos, utilizando material abençoado, vindo da América do Norte.
    Mas atualmente, no meu entendimento, os estudiosos norte-americanos, praticamente, nada, ou pouco tem a nos ensinar sobre Conversão da Pregação. O CultoShow é uma invenção Norte-Americana. A grande maioria de nossas pequenas igrejas, continua contando com um Homen e um Púlpito.
    Com respeito ao conteúdo da Pregação, muitos cristãos, sinceros, correm o risco de ceder ao apelo fácil da simples resolução de problemas e dificuldades.
    Mas, fica a pergunta: Quantas vezes já vimos pregadores dando más notícias, especificamente à sua Igreja, e não de forma genérica. Isso é raro.
    Como é mais raro do que desejamos, obedecer à Deus.

    Comentário por Edson Lemos | 4 de setembro de 2010 | Responder

    • Olá Edson, como vai você?
      Meu caro, eu concordo. Aliás, passamos juntos os anos 70 e 80. Esses artigos fazem parte de um trabalho acadêmico, que considera importante a menção de críticas de mestres e pregadores. Os dois autores mais importantes mencionados são ingleses, Lloyd-Jones e Mongan, mas tanto esses notórios ingleses como os autores americanos, estão criticando exatamente a pregação em suas culturas. Se tem havido uma ‘xerocopiação’ ou uma ‘papagaisse’ dos estilos de pregação em nossa nação, e têm, espero que essas reflexões acadêmicas provoquem um interesse maior pela pregação da Palavra, ao estilo do Espírito Santo, que conhece e respeita o ouvinte em sua cultura.
      Meu querido Edson, eu tenho andado pelo Brasil e sou testemunha que muitos, muitos púlpitos estão em crises, por isso me compadeço, pois muitos, muitos pastores estão cansados e esgotados, e sofrendo com a impossibilidade do descanso físico, emocional e espiritual, e também com a dificuldade de reciclagem. Infelizmente o quadro geral é de igrejas e pastores isolados em suas próprias cidades. Mesmo que você encontre três, quatro ou cinco Igrejas locais em uma só rua, em uma cidade qualquer, é muito provável que cada uma viva isolada das outras. Mas isso pode mudar e eu trabalho para isso.
      Sim meu amigo, na grande maioria de nossas pequenas igrejas, hoje, vemos um Homem (cansado) e um púlpito (repetitivo).
      Te conheço e sei de seu potencial e inteligência, por isso, agradeço seu comentário, pois estamos desejando o mesmo.
      Um grande abraço e que Deus abençoe muito vocês.

      Comentário por Paulo Moral | 4 de setembro de 2010 | Responder


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