Monte de Adoração

Paulo Moral & Cecília Moral

Para Quem Gosta de Pregar 3

Um papo tranquilo em uma mesa de amigos:

O bom pregador deve saber ensinar com clareza e ordem. Deve ter uma boa inteligência, uma boa voz, uma boa memória. Deve saber quando terminar, deve estudar muito para saber o que diz. Deve estar pronto a arriscar a vida, os bens e a glória, pela Verdade. Não deve levar a mal o enfado e a crítica de quem quer que seja”.

De quem? Do Martinho; Martinho Lutero.

A Contemporaneidade na Pregação dos Reformadores

A Reforma marca um avivamento na pregação. Como fatores mais importantes deste avivamento Zórzoli destaca a nova ênfase na pregação como um elemento vital na vida e na adoração, tendo a mensagem proferida por um pregador voltado ao lugar que a missa havia ocupado. Além disso, o mesmo autor ainda acrescenta a influência da pregação na luta contra os erros patrocinados pela Igreja Papal, a volta da utilização do texto bíblico na pregação e o refinamento dos métodos homiléticos até então utilizados.

Os precursores anabatistas, além de Lutero, Calvino e Zwinglio, atestam o restabelecimento da prioridade da pregação.

Neste período surgem obras no campo da Homilética que merecem destaque, como a Ratio Brevissima Concionandi, de Felippe Melanchton (1517) e que em sua primeira parte discorre sobre as várias partes do discurso (exórdio, narração, preposição, argumentos, confirmação, ornamentos, amplificação, confutação, recapitulação e peroração), em seguida enfoca a maneira de desenvolver temas simples, depois como trabalhar com temas complexos, e assim por diante. Constitui-se numa das principais obras do gênero, conforme Burt.

Outra obra Homilética citada pelo mesmo autor é o Ecclesiastes, Sive Concionator Evangelicus, de Erasmo (c. de 1466-1536), que dividiu-se em quatro livros: o primeiro sobre a dignidade, piedade, pureza, prudência e outras virtudes que o pregador deve cultivar; o segundo sobre estudos que o pregador deve fazer; os demais sobre figuras do discurso e o caráter do sacerdócio.

Embora Martinho Lutero (1483-1546) não tenha escrito uma obra específica sobre a arte de pregar, Burt destaca suas Palestras à Mesa, das quais resume os seguintes preceitos homiléticos:

O bom pregador deve saber ensinar com clareza e ordem. Deve ter uma boa inteligência, uma boa voz, uma boa memória. Deve saber quando terminar, deve estudar muito para saber o que diz. Deve estar pronto a arriscar a vida, os bens e a glória, pela Verdade. Não deve levar a mal o enfado e a crítica de quem quer que seja”.

Ainda sobre ensinos de Lutero acerca da pregação, Burt destaca estas palavras do reformador, voltadas especificamente aos jovens pregadores:
Tende-vos em pé com garbo, falai virilmente, sede expeditos. Quando fores pregar, voltai-vos para Deus e dizei-lhe: “Senhor meu, quero pregar para tua honra, falar de ti, magnificar e glorificar o teu nome”. E que o vosso sermão seja dirigido não aos ouvintes mais conspícuos, mas aos mais simples e ignorantes. Ah! que cuidado tinha Jesus de ensinar com simplicidade. Das videiras, dos rebanhos, das árvores, deduzia Ele as suas parábolas; tudo para que as multidões compreendessem e retivessem a Verdade. Fiéis à vocação, nós receberemos o nosso prêmio, senão nesta vida, na futura.

Podemos perceber nestes conselhos de Lutero a preocupação de tornar a mensagem compreensível ao povo mais simples que compõe a Congregação. Esta é uma das características principais dos reformadores deste período.

Com relação a João Calvino (1509-1564), que foi pastor da Église St. Pierre, em Genebra, na Suíça, podemos destacar sua obra literária que foi amplamente distribuída e lida em todas as partes da Europa e que influenciou grandemente o movimento reformador.

Como teólogo e pastor, Calvino deu prioridade ao ensino das Escrituras, tendo escrito comentários sobre 23 livros do Antigo Testamento e sobre todos os livros do Novo Testamento, menos Apocalipse. Suas Institutas, obra composta de 79 capítulos e completada em 1559, é o principal de seus escritos.

Dentre outras coisas, Calvino é tido como um pregador preocupado com a delimitação do verdadeiro papel da Igreja na sociedade, tendo sido precursor de um grande impacto na sociedade de sua época. Ensinava que a Igreja precisava orar pelas autoridades políticas.

Comentando I Timóteo 2:2, afirmou que precisamos não somente obedecer a lei e os governantes, mas também em nossas orações suplicar pela salvação deles. Expressou também grande preocupação com a injustiça social. Comentando Salmo 82:3 , afirmou: “um justo e bem equilibrado governo será distinguido por manter os direitos dos pobres e dos aflitos”. Sua pregação levou a Igreja de Genebra a batalhar contra os juros elevados, a lutar por oportunidades de empregos e tudo aquilo que era pertinente a uma sociedade secular mais humana.

Dentre os grandes pregadores do século XVI podemos destacar ainda John Knox (1514-1572), o reformador escocês. Uma de suas características marcantes foi sua visão social bem esclarecida expressa na defesa da obrigação de cada cristão cuidar dos pobres e no sistema elaborado por ele mediante o qual cada igreja sustentaria seus próprios necessitados e administraria escolas de catequese para todas as crianças, ricas e pobres.

Para Zórzoli, no geral, os séculos XVII e XVIII foram de novo declínio, com uma quase generalizada pobreza de púlpitos na Europa. Destaca pregadores como Baxter, Bunyan e Taylor, na Inglaterra, e Bossuet e Fenelon, na França, como sendo exceções no século XVII. Destaca como grandes pregadores e exceções do século XVIII, que considera marcado pela mediocridade, John e Carl Wesley, juntamente com George Whitefield, na Inglaterra, que produziram um avivamento centrado na pregação às multidões. Na América do Norte destaca Jonathan Edwards. Todos estes foram pregadores que conseguiram fazer a ponte da Palavra aos corações de multidões de pessoas.

Sobre Jonathan Edwards (1703-1758), cujo mais famoso sermão foi intitulado “Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado”, pregado na Igreja Congregacional em Northampton, Massachusetts, em 1741, podemos destacar o seu sermão de despedida do pastorado daquela igreja, depois de 23 anos de ministério ali.

Ao buscardes o futuro progresso desta sociedade é de maior importância que eviteis a contenda. Um povo contencioso é um povo miserável. As contendas que têm surgido entre nós desde que me tornei vosso pastor têm sido o fardo mais pesado que tenho carregado no decurso do meu ministério – não somente contendas que tendes comigo, mas aquelas que tendes tido uns com os outros por questões de terras e outros interesses. Eu já sabia muito bem que a contenda, o espírito inflamado, a maledicência e coisas semelhantes, eram frontalmente contrárias ao espírito do Cristianismo e têm concorrido, de modo todo peculiar, para afastar o Espírito de Deus de um povo, a tornar sem efeito todos os seus meios de graça, além de destruir o conforto e o bem estar temporal de cada um. Permita-me que vos exorte com todo o vigor, que, daqui para a frente, todas as vezes que vos empenhardes na busca do vosso bem futuro, que vigieis atentamente contra ume espírito contencioso: “se quiserdes ver dias bons, buscai a paz e seguí-a”(2 Pedro 3:10-11).

Nota-se nesta transcrição da conclusão do sermão o cuidado de enfocar um assunto vivenciado pela congregação. O pregador falou ao povo sobre uma deficiência do povo. Esta contextualização da pregação determinou o sucesso e caracterizou os grandes pregadores em todos os períodos da história da pregação.

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26 de julho de 2010 - Posted by | Kerigma

2 Comentários »

  1. Agradeço a Deus a oportunidade de compartilhar com meus irmãos da Sua Palavra! Em muitos lugares, infelizmente isso não é possível, pois já vivemos tempos de perseguições.
    Todo conhecimento da Palavra é válido porém vem do nosso esforço, em está sempre lendo e estudando a Palavra, mas principalmente do Espírito Santo, que É Quem nos trás a Revelação, que é o mais importante.
    Creio que o bom pregador, além dessas qualidades, é aquele que é plenamente guiado pelo Espírito Santo, em todos os sentidos de sua vida.

    Comentário por Cristina Martins da Silva Vieira | 31 de julho de 2010 | Responder

  2. Amei e concordo com td isso, agora dando uma ênfase ao destaque : as pessoas falam tanto em não julgar mas acabam julgando sempre. Amar que é bom?
    Cada dia mais difícil. Deveríamos fazer o contrário do que diz sobre o final dos tempos, que o amor de muitos se esfriariam, mas acabamos nos cansando de ouvir sempre sobre as mesmas coisas mas as atitudes poucas vezes demonstram o que se deveria realmente.

    Comentário por Adriana Do Carmo Souza | 27 de julho de 2010 | Responder


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